Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

ONS projeta represas mais vazias; governo avalia horário de verão

Indicadores compilados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nos últimos dias mostram um cenário de mais incertezas sobre o retorno das chuvas nos próximos meses, o que aumenta a pressão sobre o governo Lula para a adoção do horário de verão. A expectativa é de que o assunto entre hoje na pauta do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), mas a semana começou com a atenção voltada para o apagão em São Paulo.

Na quarta-feira passada, em reunião da Câmara de Monitoramento do Sistema Elétrico – que reúne integrantes das agências nacionais de Energia Elétrica (Aneel) e do Petróleo (ANP), da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Ministério de Minas e Energia –, o ONS informou que as projeções indicam piora nas condições de fornecimento de energia nos próximos meses.

Segundo o operador, nos dois cenários prospectivos a água que deverá afluir para as represas das hidrelétricas deste mês até março de 2025 ficará abaixo da média histórica. No pior cenário, a energia armazenada nos reservatórios, ao fim do período de chuvas, ficará 23,4% abaixo da de março deste ano.

“As projeções indicam incertezas com relação ao início e condições do período úmido, apesar de alguns modelos enxergarem maior nível de precipitação a partir da segunda quinzena deste mês. Com a

estiagem severa dos últimos meses, as próximas chuvas precisam, num primeiro momento, permitir que o solo recupere sua umidade para que, posteriormente, seja observada a elevação dos níveis das vazões”, afirma o ONS, em nota sobre a reunião, disponível em seu site.

A recuperação dos volumes nas represas é esperada apenas para janeiro. “O principal desafio identificado pelo ONS até dezembro é o atendimento da ponta de carga, horário em que a demanda atinge seu ponto máximo, que geralmente acontece entre 18h e 20h”, afirma. É justamente nesse intervalo do dia que o horário de verão mostraria sua efetividade, segundo estudo apresentado pelo ONS no mês passado recomendando a adoção da política.

A nota técnica afirma que o horário de verão pode adiar em até 2h o momento de maior consumo à noite, quando a energia solar não está mais disponível. Dessa forma, seria possível economizar R$ 365 milhões sem o acionamento de termoelétricas, que encarece as contas de luz.

Neste mês, em razão da estiagem, as contas de luz estão sob bandeira vermelha 2, ponto mais alto de sobrepreço na eletricidade. A medida incomodou o governo Lula e levou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a recomendar que a Aneel use o valor acumulado (R$ 5,2 bilhões) na conta das bandeiras tarifárias antes de elevar a tarifa de energia elétrica.

REJEIÇÃO.

Mas, se de um lado o governo lida com um aumento de preços, de outro o horário de verão é uma medida que está com a popularidade em baixa, principalmente nos Estados do Sul e Sudeste, e enfrenta resistência em outros setores, como o aéreo.

Pesquisa do Datafolha divulgada ontem mostra que 47% dos entrevistados disseram ser contra a medida, um empate em relação aos 47% que dizem apoiar a volta do horário de verão. É o pior resultado desde 2017 – naquele ano, a proposta tinha a aprovação de 58%. Na Região Sudeste, a desaprovação é de 51%, ante 44% favoráveis. Isso ajuda a explicar por que o assunto não ganhou projeção no núcleo político próximo ao presidente Lula.

Durante seu mandato, Jair Bolsonaro (PL) evitou o tema, mesmo durante a forte crise de 2021, quando houve o risco de falta de energia. Na ocasião, o argumento do Ministério de Minas e Energia foi o de que o horário de verão não produzia os resultados esperados de economia de eletricidade.

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