Sexta-feira, 3 de Abril de 2026

Oi foge da responsabilidade com trabalhadores, acena com plano de demissões mas não dá prazo

Federações sindicais que representam trabalhadores do grupo Oi tiveram uma reunião tensa com o gestor Judicial da operadora, Bruno Rezende, na quarta, 18 de março. FENATTEL, FITRATELP e FITTLIVRE cobraram soluções imediatas para o quadro de “ociosidade forçada” que afeta centenas de empregados e para o passivo trabalhista de subsidiárias.

A gestão da empresa, no entanto, sinalizou tão somente com a possibilidade de estudos para a implementação de um Programa de Demissão Incentivada e a reunião terminou sem definições concretas de prazos, gerando frustração entre os dirigentes sindicais.

Em nota conjunta, os representantes dos trabalhadores criticaram a postura da gestão. “A Oi está desperdiçando a oportunidade de dar uma solução respeitosa para os trabalhadores, priorizando a gestão financeira sobre a social”, afirmaram os dirigentes.

As federações reclamam que a “ociosidade forçada” atinge centenas de funcionários, daí a exigência de abertura de canais para um desligamento com o pagamento integral das verbas rescisórias. Apesar do aceno com um PDI, não ficou estabelecida data para a conclusão da análise ou para o lançamento de um programa de incentivos.

Durante a audiência, Bruno Rezende apresentou um panorama sobre o futuro da empresa e as negociações em curso. O gestor informou que a venda da UPI Fixa deve ser concluída até o dia 20 de abril, com a expectativa de que a empresa adquirente absorva cerca de 250 colaboradores.

Já a UPI Imóveis poderá incorporar até 110 funcionários. Em relação à Oi Soluções, Rezende afirmou que não há intenção de venda da unidade, que deve concentrar a principal atividade da companhia no futuro. Sobre os resultados financeiros, o balanço da empresa e o resultado do Placar 2025, um acordo de resultados, devem ser anunciados em breve, enquanto as negociações para o Placar 2026 estão previstas para iniciar em maio.

Apesar do diálogo estabelecido, os dirigentes sindicais classificaram a reunião como inconclusiva. Um dos principais focos de tensão foi a situação dos trabalhadores da SEREDE, subsidiária da Oi. O gestor judicial transferiu a responsabilidade sobre o passivo trabalhista dessa rede para a esfera da Justiça, argumentando que a 7ª Vara não reconheceu a responsabilidade solidária da Oi. As federações contestaram duramente essa posição, reforçando que a Oi era a única tomadora de serviços da subsidiária e que a falta de uma definição clara amplia a crise e o endividamento com a folha de pagamento.

O próximo passo do processo judicial ocorre no dia 20 de abril, quando o Gestor Judicial apresentará um relatório técnico à Juíza da 7ª Vara detalhando o período em que assumiu a gestão da companhia. Enquanto isso, as assembleias de trabalhadores deverão decidir as próximas ações da categoria diante do cenário de incertezas e da falta de soluções concretas para a crise humanitária e emocional que assola os funcionários da Oi.

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