Domingo, 31 de Agosto de 2025

O Brasil recicla apenas 3% do total de aparelhos eletrônicos. E você, faz a sua parte?

O Brasil produz mais de dois milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, mas recicla apenas 3% desse total, segundo a ONU. O dado revela um problema que vai além da gestão de resíduos. Reflete como empresas e consumidores ainda não enxergam a urgência de dar um destino adequado a celulares, computadores e outros dispositivos que fazem parte do nosso cotidiano.0

Quando falamos em reciclagem de eletrônicos, precisamos considerar dois cenários distintos. De um lado estão os consumidores finais, que muitas vezes guardam aparelhos antigos em gavetas ou os descartam no lixo comum. Do outro estão as empresas, que lidam com volumes maiores de equipamentos obsoletos, mas nem sempre possuem políticas claras para seu descarte. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: toneladas de materiais valiosos sendo desperdiçados e componentes tóxicos contaminando o meio ambiente.

O desafio começa pela falta de informação. Muitas pessoas não sabem que uma simples pilha ou celular velho pode conter metais pesados como chumbo e mercúrio, que contaminam solo e água quando descartados incorretamente. Ao mesmo tempo, esses aparelhos possuem metais preciosos, como ouro e prata, além de materiais que poderiam ser reinseridos na cadeia produtiva.

Mas o problema vai além da reciclagem: está também no hábito de descartar aparelhos que ainda poderiam ter anos de vida útil. A obsolescência percebida leva muitos usuários a trocarem smartphones perfeitamente funcionais por modelos mais novos. Um estudo da Green Eletron revela que 60% dos celulares descartados anualmente no Brasil ainda estão em condições de uso. Isso significa que muitos aparelhos que poderiam ser reutilizados ou reciclados são descartados incorretamente, contribuindo ainda mais para o aumento do lixo eletrônico e seus impactos ambientais.

A pesquisa também aponta outro hábito recorrente: grande parcela dos brasileiros guarda celulares e smartphones em casa, mesmo sem os utilizar. Muitos desses aparelhos poderiam ser doados, revendidos ou reciclados de forma adequada, evitando que acabem em aterros sanitários e contaminem o meio ambiente.

Nesse contexto, os modelos de assinatura de celulares surgem como alternativa mais consciente. Eles promovem o reuso de aparelhos, permitindo que usuários troquem de modelo com frequência, sem descartar celulares que ainda funcionam. É como um ciclo de reaproveitamento, em que o celular que deixou de atender uma pessoa passa a ser útil para outra. Com isso, reduzimos o descarte prematuro e garantimos que os dispositivos só sejam aposentados quando realmente chegam ao fim da sua vida útil.

No ambiente corporativo, a situação não é muito diferente. Empresas que renovam seus parques tecnológicos frequentemente se veem diante de um dilema: como descartar dezenas ou centenas de equipamentos sem causar impactos ambientais? Ainda que a legislação brasileira exija o descarte adequado de eletrônicos, muitas organizações tratam o tema como obrigação burocrática e não como parte de sua responsabilidade socioambiental.

Alguns avanços começam a aparecer. Cooperativas de reciclagem se especializam no processamento de eletrônicos. Varejistas e fabricantes implementam programas de coleta voluntária. Empresas de tecnologia desenvolvem processos para recuperar materiais de aparelhos antigos. Tais iniciativas, ainda que isoladas, mostram que é possível construir uma economia circular para eletrônicos.

O caminho a percorrer ainda é longo. Precisamos de mais pontos de coleta acessíveis à população e uma mudança de comportamento. As empresas devem incorporar a logística reversa em seus modelos de negócio. Os governos precisam fiscalizar e incentivar práticas sustentáveis. E todos nós, como consumidores, precisamos assumir nossa parte nesse processo.

Reciclar eletrônicos não pode ser visto como um favor ao meio ambiente. É uma necessidade urgente em um mundo onde a tecnologia avança rapidamente e os recursos naturais se tornam cada vez mais escassos. O Brasil tem a chance de sair da posição de quem engatinha nesse tema para se tornar referência em reciclagem tecnológica. Para isso, precisamos começar hoje, com os aparelhos que deixamos na gaveta ou jogamos no lixo comum, com as escolhas que fazemos em direção ao consumo mais consciente.

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