Domingo, 31 de Agosto de 2025

Número de redes celulares privativas no Brasil cresce 19% em um ano

O número de redes celulares privativas (RCPs) em operação ou em fase de implementação no Brasil cresceu 19% nos últimos 12 meses, passando de 401 para 477. É o que informa a terceira edição do Mapa de Redes Celulares Privativas no Brasil, levantamento anual realizado por Mobile Time junto a operadoras, fabricantes de equipamentos de rede, consultorias, integradores e grandes empresas que construíram suas próprias RCPs, como Neoenergia, Petrobras e Vale.

No mesmo intervalo de um ano, a quantidade de ERBs operando em RCPs no país aumentou 25%, subindo de cerca de 1,6 mil para aproximadamente 2 mil. Em média, cada RCP no Brasil conta com 4,2 ERBs. Nesse número não são contabilizadas ERBs de rede pública em projetos com APNs.

redes celulares privativas

Fonte: Mapa de Redes Celulares Privativas 2025 / Mobile Time

redes celulares privativas

Fonte: Mapa de Redes Celulares Privativas 2025 /

Entre os fatores que mais contribuem para o desenvolvimento desse mercado no Brasil estão:

. Disponibilidade de grande variedade de frequências para redes celulares privativas a preços acessíveis pela Anatel

. Queda nos preços dos equipamentos de rede de acesso, especialmente aqueles de pequeno porte

.  Facilidade de instalação de small cells

. Apoio governamental e de entidades setoriais, com destaque para ABDIUTCALMCTIFinep e Senai

Também começa a ser notado um efeito positivo por conta da competição dentro de determinados setores. Empresas que foram pioneiras na instalação de RCPs estão colhendo os frutos de aumento da eficiência e, desta forma, inspiram os concorrentes a implementarem projetos similares.

RCPs: agricultura e indústria puxam o crescimento

O agronegócio continua sendo o principal demandante por projetos de redes celulares privativas. A conectividade é fundamental em seu processo de transformação digital, cada vez mais necessário para manter a competitividade no setor. Nesse contexto, as RCPs têm se revelado uma solução cada vez mais acessível e que garante segurança e performance. Em um ano, o número de RCPs instaladas para atender ao agronegócio subiu 20%, passando de 117 para 140. A maioria são 4G e utilizam faixas abaixo de 1 GHz, para conseguir uma cobertura maior, especialmente em 700 MHz e 250 MHz. Produtores de cana de açúcar e grãos estão entre os principais utilizadores de RCPs no campo.

A indústria é outro setor que se destacou nos últimos 12 meses, assumindo o terceiro lugar em quantidade de RCPs instaladas ou em implementação. De um ano para cá, o número de redes celulares privativas que atendem plantas de manufatura mais que dobrou, passando de 25 para 65. Boa parte desse crescimento vem da implementação dessa solução pela Ambev em suas fábricas, armazéns e centros de distribuição. Outro projeto novo que chama a atenção é o da Usiminas, em sua planta em Ipatinga/MG.

Por sua vez, os setores de óleo & gás, energia e mineração estão entre os mais tradicionais na implementação de RCPs, com alguns dos maiores e mais antigos projetos que viraram referência para o mercado. Entres os exemplos mais notáveis estão Neoenergia, Petrobras e Vale. Novas iniciativas importantes continuam aparecendo nesses setores, como o projeto da Cemig e a implementação de uma primeira rede celular privativa pela Salinas Gold, mineradora de ouro.

Definição de redes celulares privativas

O levantamento considera como RCP uma rede que utilize tecnologia celular (4G ou 5G) e cujo acesso seja restrito a dispositivos de um determinado contratante, em geral uma empresa, instituição ou órgão governamental.

Na definição mais comumente aceita, um projeto de RCP envolve a construção de uma rede nova, apartada da rede pública, e com cobertura limitada à área de atuação do contratante (exemplos: uma fábrica, uma fazenda, uma mina, um porto, uma universidade etc). Nestes casos são usadas frequências disponíveis para licenças de Serviço Limitado Privado (SLP), como 250 MHz, 410 MHz, 450 MHz, 2,3 GHz e 3,7 GHz. Esses projetos não precisam necessariamente envolver operadoras móveis tradicionais.

Todavia, este relatório também classifica como RCP projetos que usam a rede celular pública com alguma delimitação para o tráfego de dados da empresa contratante. É o caso de projetos que fazem uso de APNs dentro das redes móveis.

Participaram deste levantamento com o envio de dados: Celplan, CPQD, Datora/Arqia, Ericsson, IBM, InovaHC, Juganu, Khomp, KPMG, NEC, Neoenergia, NLT, Nokia, Onetis, Petrobras, Huawei, Telesys, TIM, Tropico, Vale, Venko e Vivo.

O relatório completo pode ser baixado aqui.

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