Quinta-feira, 5 de Março de 2026

Nokia: IA gera 77 exabytes de tráfego por mês, metade na rede móvel

A inteligência artificial também foi o principal tema abordado por Justin Hotard, CEO da Nokia, durante participação nesta quarta-feira, 4, no Mobile World Congress (MWC) 2026, realizado em Barcelona (Espanha). Segundo o executivo, o super ciclo de IA já começou e ainda vai causar “implicações tremendas” nas redes de comunicação.

Números trazidos pelo executivo norte-americano buscaram corroborar a visão: segundo Hotard, a IA já gera globalmente 77 exabytes (EB) de tráfego de dados por mês, sendo 53% deste volume suportado as redes móveis. Um exabyte equivale a um bilhão de gigabytes.

O volume é resultado de mais de 1,3 trilhão de sessões de engajamento com a tecnologia por ano e cerca de 100 trilhões de tokens processados por dia (os tokens de IA são, de forma simplificada, pequenas unidades de dados que os modelos de linguagem utilizam para processar e gerar texto).

“Toda geração de rede foi desenhada em torno de um workload principal, seja de voz, dados ou vídeo. Agora será a vez do IA”, afirmou Hotard – que, diferentemente de outras fornecedoras da cadeia de telecom, deu pouca ênfase ao 6G, preferindo abordar o mercado de data centers em painel na sessão principal da MWC 2026.

Escalada
“Não estamos no começo [do ciclo de IA], estamos na escalada”, prosseguiu o CEO da Nokia em Barcelona.

Segundo ele, hoje o tráfego gerado pela tecnologia ainda é primariamente human-to-machine (humano até a máquina), mas deve se tornar cada vez mais machine-to-machine na medida em que agentes de IA e a chamada inteligência artificial física (physical AI) avançarem.

Uma consequência disto é que o tráfego de dados – hoje classificado pela Nokia como previsível e linear – deve ser transformado. O comportamento das redes se tornará cada vez mais intermitente e dinâmico, ora com restrições nas velocidades de uplink (atributo que deve ser mais exigido pela IA) e ora nas velocidades de downlink.

“Apenas tentar sobrepor o tráfego de IA às redes existentes não será suficiente para atender às demandas que estão surgindo. Será necessária uma arquitetura nativa de IA”, finalizou Hotard, defendendo convergência cada vez maior entre computação, conectividade e capacidades de gerenciamento das redes.

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