Domingo, 5 de Abril de 2026

Negociação entre Claro e Desktop tem dificuldades, mas segue na mesa

As negociações da Claro para aquisição da Desktop se estendem há pelo menos quatro meses, sem as partes terem chegado a um consenso sobre o preço da transação e as condições para acertar um acordo. Apesar das dificuldades, as empresas seguem na mesa, e a esperança de fechar acordo ainda existe, apurou a Coluna.

Caso a Claro decida não avançar no negócio, a tendência é que a Desktop não desista da venda e procure outros interessados – como provedores regionais de internet que estão em busca de crescimento e ganho de escala. Mas, até o momento, outros interessados não foram chamados para participar das conversas – um sinal de que Claro e Desktop ainda veem chance de um entendimento. “Negociação é negociação…acaba, volta, acaba de novo”, disse uma fonte.

Os juros altos da economia brasileira, a estagnação dos preços dos planos de banda larga fixa e a sobreposição das redes de fibra ótica são os principais fatores que pesam para um acordo. Além disso, as empresas de telecomunicações viram sua avaliação cair. Nas aquisições de alguns anos atrás, investidores topavam pagar mais de 10 vezes o lucro operacional anual de cada operadora, mas hoje, isso está mais perto de cinco vezes.

Parecer contrário da Anatel influenciou
Outra coisa que pesou foi o relatório publicado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) logo depois que a negociação entre Claro e Desktop se tornou pública, no fim do ano passado. Na época, a Anatel criticou a possível transação citando risco de gerar redução nos níveis de competição, menor difusão do serviço e limitação na oferta de fibra ótica.

É incomum as autoridades se manifestarem sobre fusões e aquisições antes de as próprias empresas fecharem negócio e emitirem as notificações. Dessa forma, a manifestação “antecipada” da Anatel foi interpretada como um recado claro de insatisfação do órgão regulador, podendo levar a restrições para a transação se concretizar no futuro. “O preço embute essa dúvida sobre a questão com o regulador. E aí o comprador quer jogar lá pra baixo”, disse uma fonte.

Na Bolsa, a Desktop tem cerca de R$ 1,54 bilhão em valor de mercado. A ação fechou cotada a R$ 13,45 nesta quarta-feira, 25, mas a companhia já viu seu papel superar R$ 26,00, em outubro de 2021. A empresa é a maior provedora de banda larga do Estado de São Paulo, sem contar as grandes teles nacionais, com 1,2 milhão de clientes em cerca de 200 cidades – o equivalente a 7,6% de participação no mercado. Para a Claro, a aquisição representaria um avanço importante no Estado, onde disputa a liderança com a Vivo. A Claro tem 4,5 milhões de clientes em São Paulo (28,3%), enquanto a Vivo conta com 4,9 milhões (31%).

Procura por comprador dura três anos
Há pelo menos três anos a Desktop vem discutindo alternativas de venda. Há dois anos, negociou com a Telefônica Brasil (dona da Vivo), mas também não chegou a um acordo sobre o preço. Outros provedores também bateram na porta da Desktop, mas não gostaram dos valores pedidos. A provedora tem como principais acionistas a gestora de recursos norte-americana HIG Capital (53%) e o fundador e presidente Dênio Alves Lindo (15%).

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