Na América Latina, 5G tem sido melhoria, mas não revolução
A adoção do 5G na América Latina tem ocorrido de forma desigual, segundo relatório da Omdia apresentado no Futurecom 2024. Países como Porto Rico e Chile saíram à frente na adoção, enquanto outros, como Argentina e Colômbia, iniciaram a implementação só neste ano.
Até o primeiro trimestre de 2024, a América Latina atingiu 47 milhões de conexões 5G. Mas, no entanto, isso representa só 2% de todas as conexões móveis da região. No Brasil, o percentual referente às conexões é de 13,5%, de acordo com o gerente sênior de Service Providers Americas da Omdia, Ari Lopes.
Um dos fatores destacados como limitante para adoção da tecnologia é a pandemia, que desencadeou atrasos em leilões de espectro. Além disso, os custos elevados de dispositivos são parte dos fatores que retardaram a expansão do 5G. Em países como o Brasil, por exemplo, a conexão é disponibilizada abertamente pelas operadoras, mas nem todos os aparelhos são compatíveis.
Outra perspectiva apontada por Lopes é de que as operadoras têm trabalhado na construção de uma rede, mas sem serviços efetivamente novos para o consumidor e que o estimulem a adesão à tecnologia de quinta geração. De sua perspectiva, o 5G tem representado uma “melhoria incremental, mas não uma revolução”.
A pesquisa também mostrou que no imaginário comum, o que se entende pela tecnologia é somente mais velocidade e 28% dos clientes consultados não consideram trocar de aparelho para fazer uso do 5G.
Como opção para incentivar os consumidores, o executivo citou durante a apresentação o investimento em soluções voltadas para realidade virtual e aumentada, jogos e vídeo.
No setor B2B, a situação é diferente. Os primeiros usos do 5G na América Latina estão concentrados no segmento empresarial, principalmente em redes privadas e soluções como o FWA (acesso fixo sem fio). Para Lopes, segmento é uma grande oportunidade para o avanço da tecnologia.
Futuro da tecnologia
A Omdia prevê um crescimento acelerado do 5G na região, com a tecnologia se tornando predominante até 2028. O FWA e as redes privadas são apontados como os próximos mercados a crescerem. A expectativa, segundo Ari Lopes, é de que a virada (de transição do 4G para o 5G) aconteça no Brasil em 2026 e em 2027 na América Latina.
Mas, para acelerar o crescimento, a monetização do 5G, a falta de dispositivos compatíveis com mmWave e a necessidade de maior clareza sobre os casos de uso para o fatiamento de rede são desafios que devem ser trabalhados.
