MWC26: teles querem ser protagonistas em segurança digital
As operadoras de telecomunicações querem exercer o papel de protagonistas em segurança no mundo digital. Isso ficou claro na abertura do Mobile World Congress 2026 (MWC26), nesta segunda-feira, 2, em Barcelona. O tema da segurança foi destacado por vários líderes do setor em suas falas, como o diretor geral da GSMA, Vivek Badrinath; o chairman e fundador da Bharti Airtel, Sunil Bharti Mittal; e a CEO da Orange, Christel Heydemann.
“As operadoras são o escudo do mundo digital”, resumiu Heydemann, CEO da francesa Orange, a principal voz sobre o tema na abertura do evento. Ela entende que o setor de telecom está diante de uma oportunidade histórica de atuar para garantir a confiança na tecnologia digital, através de ferramentas de proteção desenvolvidas em suas próprias redes.

Christel Heydemann, CEO da Orange, no MWC26 (Crédito: Fernando Paiva/Mobile Time)
Seria também uma forma de reverter o longo processo das últimas décadas de transformação das teles em provedoras de uma infraestrutura invisível, praticamente uma commodity, fazendo com que tenham uma participação pequena nas receitas do mundo digital, queixou-se a CEO da Orange.
Para Heydemann, soluções de segurança providas pelas teles podem ser o antídoto contra o caos e a falta de confiança no ambiente digital, cada vez mais poluído por desinformação, golpes e fraudes.
“Queremos criar um mundo digital liderado por caos e ameaças? Temos que reconquistar o controle do nosso futuro. As teles controlam o backbone digital. Somos um dos atores capazes de direcionar esse desenvolvimento”, argumentou.
Badrinath, da GSMA, usou outra analogia para reforçar o potencial nas mãos das teles: “Somos o sistema nervoso central do mundo digital”.
O exemplo indiano
A indiana Barthi Airtel serve de exemplo de como oferecer segurança digital como um serviço embutido na rede de telecom. A operadora indiana construiu uma solução própria de proteção contra ameaças que já bloqueou 72 bilhões de chamadas de spam e 2,9 bilhões de SMS. E mesmo se um cliente clicar em um link malicioso, a rede da Airtel impede a sua abertura: 1 milhão de tentativas de cliques em links maliciosos já foram barradas.

Sunil Bharti Mittal, chairman e fundador da Bharti Airtel, no MWC26 (Crédito: Fernando Paiva/Mobile Time)
Mittal, seu fundador e chairman, defendeu no palco do MWC26 uma união das operadoras em torno do tema de segurança digital, assim como de players de outros setores: “Esforços fragmentados não são suficientes”.
Ele citou a necessidade de atrair os apps OTT para a construção de soluções conjuntas. Recentemente, a Airtel acertou parceria com o Google para que as mensagens de RCS também sejam protegidas pela solução da operadora. Porém, há outros canais de mensageria, como WhatsApp e Telegram, que deveriam ser regulados para garantir a segurança do serviço, sugeriu.
“Temos que nos unir contra scams. É uma luta do ecossistema”, concordou Badrinath, da GSMA. O diretor da entidade incluiu segurança como uma das três prioridades do setor em sua fala de abertura, e destacou o papel de APIs do Open Gateway, como a Scam Signal, em combater fraudes digitais.
