Domingo, 5 de Abril de 2026

MWC: Telcos querem protagonismo na IA e anunciam iniciativa Open Telco AI

O painel Leading the Future: Intelligent, Inclusive, Unstoppable abriu o MWC Barcelona 2026, promovido pela GSMA, nesta segunda-feira (2). O painel discutiu inclusão, novas abordagens para tecnologias de IA e o papel das empresas de telecomunicações neste ramo, além de contar com palestrantes renomados da área.

O diretor geral da GSMA, Vivek Badrinath, abriu o painel destacando que, apesar das Telcos serem “uma camada fundamental para o desenvolvimento da IA”, as tecnologias atuais de IA “não atendem plenamente às necessidades das Telcos”. Para enfrentar esse desafio, o executivo anunciou a iniciativa Open Telco AI, voltada para desenvolver modelos abertos e conjuntos de dados específicos para telecomunicações.

Em pararelo, o presidente, diretor executivo e COO da China Telecom, indicou que a China Telecom atravessa um momento de transformação de uma “grande Telco” para “provedor chave de IA” e que a empresa está avançando em direção a três pilares estratégicos:

Cloudification (expansão de serviços em nuvem),

Digital Transformation (digitalização de processos),

AI for Good (uso da IA para benefícios sociais).

O diretor ressalta o papel da eSurfing Cloud, que já se consolidou como o maior serviço de nuvem de operadora do mundo, como peça central na estratégia de IA e digitalização da companhia. “Nós usamos IA para reconstruir a base do nosso negócio e auxiliar em todos os tipos de tecnologias.”

O diretor geral da GSMA também chamou atenção para o “gap linguístico” da IA que, segundo o executivo, é um dos principais problemas de inclusão da ferramenta. “Se as pessoas não podem usar IA em seu idioma, elas serão excluídas de várias oportunidades que ela promove e os modelos serão cada vez mais irrelevantes. Nós temos que tornar a IA acessível para todos.”

A ressalva veio acompanhada do anúncio de uma solução de IA que acomoda a língua Swahili e derivadas de matrizes africanas. “Dos 7.000 idiomas no mundo, 2.000 estão na África. É um mercado muito interessante para provar essa nova abordagem de open AI.”

O fundador e chairman da Bharti Enterprises, Sunil Bharti Mittal, apresentou uma nova vertente à discussão: a cibersegurança. O executivo destacou números alarmantes: US$ 480 bilhões são perdidos anualmente em fraudes digitais – o equivalente a US$ 15.000 por segundo. Ele enfatiza a primeira rede segura liderada por IA, criada pela Airtel, que bloqueou 71 bilhões de ataques virtuais nos últimos dois anos.

Christel Heydemann, CEO da Orange, ressalta que a segurança é um dos pilares para o futuro da tecnologia. Para a CEO, um “futuro no qual a inovação servirá à humanidade” envolve segurança, resiliência e na atuação dos operadores de telecomunicações como “escudos ativos do mundo digital”.

“A tecnologia está acelerando rapidamente, mas a confiança não. Precisamos de um ambiente regulado e que comporte as ambições da IA. Para isso, precisamos de proteção e resiliência.”

Já a presidente da Vodafone, Margherita Della Valle, defendeu que o espaço é a próxima fronteira da conectividade, porém que a operação “exige responsabilidade e colaboração global”. “Precisamos ter espectro e segurança para fazer do espaço a disrupção desejada. Temos de ter colaboração e responsabilidade”, afirmou Valle. A Vodafone levou ao evento o astronauta Tim Pearke, da Agência Europeia de Satélites, que ficou seis meses no espaço. O aeronauta espacial defendeu a iniciativa e ressaltou que o espaço abre frentes para um trabalho global.

A CEO da Vodafone anunciou um programa ao lado da Orange e da Telefónica para ter uma conexão satelital na Europa, mas reiteirou que para ‘conectar todas as pessoas e todas as coisas pelo espaço será preciso trabalhar todo mundo junto. Não dá para ser ações isoladas”, pontuou.

“É excitante, mas exige muita responsabilidade e um ecossistema forte. Tenho convicção que a IA móvel depende integralmente da conectividade. Sem conexão para todos, não teremos a era da IA para todos”, concluiu.

Vale ressaltar, também a competitividade com as companhias de Elon Musk, uma vez que o empresário já tece comentários frequentes sobre a exploração de infraestruturas de IA no espaço.

Por fim, o CEO da AT&T, John Stankey, apresentou um plano ousado para a AT&T, que afirma que o mercado norte-americano já superou a fase inicial do 5G e agora entra em uma nova etapa de evolução. O CEO enfatizou que as empresas não devem se apoiar em uma única tecnologia, mas sim investir em 5G, redes híbridas e satélites, criando um ecossistema mais resiliente e flexível.

Stankey reforçou, também, a importância de saber “quando é hora de mudar e se adaptar”, defendendo que operadoras precisam se reinventar constantemente para acompanhar o ritmo da inovação.

Compartilhe: