MWC: IA como mecanismo econômico, cultural e social
O painel Peering Into Culture’s Crystal Ball trouxe à tona a discussão sobre o impacto cultural, social e econômico da inteligência artificial. A palestra contou com a presença de Azeem Azhar – fundador da Exponential View – Andrew Feinberg, CEO da BostonGene e CEO e Chairman da Netcracker, além de Johanna Faries, CEO da Blizzard.
Azhar abriu o painel e destacou que a IA “está se tornando uma camada invisível, mas fundamental, que sustentará a vida digital e cultural nos próximos anos”. Segundo o fundador da Exponential View, a IA é essencial para a sociedade moderna e comparável à eletricidade ou à internet. Para o analista, estamos diante de uma era de “inteligência abundante” e de “uma demanda insaciável por conhecimento”, na qual o custo da tecnologia cai continuamente, tornando-a cada vez mais acessível e presente em todos os setores.
“A IA mudou o mundo. Há 15 anos, falava-se que os softwares estavam ‘comendo’ o mundo. Hoje, os softwares requerem um novo mundo. As Big Techs estão investindo US$ 650 bilhões em infraestrutura e 75% desse valor é para IA.”
Azhar destacou, ainda, que os efeitos da IA vão além dos negócios e atingem a identidade, cultura e as relações sociais. O executivo alertou que, à medida que a IA se expande, é essencial criar estruturas de governança que garantam que os benefícios sejam distribuídos de forma justa.
“A inteligência artificial já não é apenas uma ferramenta; ela está se tornando parte da infraestrutura invisível que sustenta nossa cultura. Mas, sem estruturas de governança robustas, corremos o risco de que essa abundância de inteligência amplifique desigualdades em vez de gerar progresso coletivo”, reforça.
A mesma visão é compartilhada por Andrew Feinberg, CEO da BostonGene e CEO e Chairman da Netcracker, que ressalta que a expansão da IA só será sustentável caso acompanhada por mecanismos sólidos de governança. O executivo defendeu que sistemas complexos não devem se limitar à eficiência técnica, mas sim convertidos em valor social. “A verdadeira fronteira da IA não é substituir os humanos, mas nos ajudar a navegar sistemas além da nossa compreensão”, afirma.
O CEO também destaca a importância da tecnologia no campo da medicina. “Chegou a um ponto no qual havia muitos dados para serem decifrados, mas não existia a tecnologia para isso. Foi aí que a IA mudou o jogo. Ela permite processar esses dados e permite maior precisão e velocidade nos diagnósticos.”
Feinberg aponta que a medicina não é o único campo a se beneficiar do uso de IA, à exemplo das Telco, como destaca. Segundo o CEO, com regras claras e responsabilidade, a IA pode gerar avanços significativos em diversas áreas, sobretudo no que tange à cibersegurança. “As Telco sofriam da mesma coisa: acúmulo de dados, mas sem ter como decifrá-los. A IA permite que os networks mudem de reativos para precavidos, diminuindo as fraudes antes de perdas de receita. As Telco não somente conectam sistemas, mas agora também é inteligente.”
Já a CEO da Blizzard, Johanna Faries, retomou a discussão sob a perspectiva cultural. A diretora afirmou como jogos e mundos virtuais moldam novas formas de identidade e pertencimento, ao passo em que “criam comunidades globais que compartilham valores e experiências em tempo real”. Faries projeta um futuro em que o “entretenimento digital estará cada vez mais integrado à vida cotidiana, ampliando o papel da IA como motor cultural”.
“O entretenimento digital é hoje um espaço de convergência entre tecnologia e cultura. Ele redefine conexões sociais e funciona como um verdadeiro catalisador criativo, capaz de transformar a maneira como comunidades globais se relacionam e compartilham experiências em tempo real”, afirma a CEO.
