MWC 2026 reforça busca por monetização imediata de IA, 5G e soluções B2B
A edição de 2026 do MWC Barcelona esteve mais menos futurista e mais centrada em aplicações que já podem ser incorporadas à operação das teles. Essa é a percepção de José Ronaldo Rocha, sócio da área de telecomunicações da EY, que participou de um bate-bola com o Tele.Síntese com objetivo de resumir o que foi a feira neste ano. Na leitura do executivo, a principal mensagem do evento foi “tangibilizar e trazer para a realidade os investimentos do futuro”.
A avaliação de Rocha é que o setor entrou em uma fase em que já não basta apresentar 5G, 6G, inteligência artificial e automação como apostas de longo prazo. O foco passou a ser a viabilidade econômica dessas frentes, especialmente em um ambiente de pressão por retorno rápido e limitação de capital.
Na prática, isso significa buscar upgrades incrementais em vez de ciclos abruptos de investimento, o que explica muitas das demonstrações no evento. Segundo ele, a feira mostrou como tecnologias já disponíveis podem ser usadas para reduzir custos operacionais, melhorar o atendimento e tornar a rede mais eficiente, sem exigir uma renovação completa da infraestrutura.
IA domina o debate
A inteligência artificial foi, de longe, o tema mais disseminado do MWC 2026, segundo Rocha. Em vez de aparecer apenas como conceito, ela foi apresentada em aplicações concretas, ligadas à automação da operação, suporte à decisão e gestão de rede.
Para o executivo, o diferencial desta edição foi justamente a demonstração de uso prático. O que apareceu com força, segundo ele, foram soluções voltadas ao dia a dia das operadoras e de seus clientes corporativos. “A oportunidade de negócio está anterior a isso”, disse, ao observar que robôs, drones e outros elementos de apelo visual seguiram presentes, mas com menos protagonismo comercial.
Rocha também destacou que o avanço dos agentes autônomos recolocou no centro a discussão sobre governança, segurança cibernética e explicabilidade dos modelos. Na avaliação dele, a adoção mais ampla dessa tecnologia depende de limites claros sobre o que a IA pode decidir sozinha e de mecanismos para rastrear falhas, vieses e desvios de comportamento.
B2B ganha peso na monetização
Outro ponto forte do bate-bola foi a percepção de que a monetização das novas redes passa crescentemente pelo mercado corporativo. Rocha afirmou que a expansão das receitas das operadoras já está mais associada às soluções para empresas do que aos serviços tradicionais de massa. “A linha de receita voltada para o B2B” é a que mais cresce, comentou.
Esse movimento apareceu no evento em ofertas que combinam conectividade, automação, processamento de dados e soluções para setores como indústria, agro, mineração, governo e missão críticas. Em vez de vender apenas capacidade de rede, as teles e seus parceiros passaram a enfatizar ofertas integradas, de ponta a ponta.
Confiança, satélites e Brasil
Rocha também observou um esforço do setor para recuperar a confiança na telefonia, desgastada por robocalls, fraudes e uso excessivo de dados. A percepção, segundo ele, é que a rede precisa voltar a ser vista como ambiente seguro para serviços mais sofisticados.
Já o debate sobre direct-to-device e satélites apareceu menos do que o esperado. Faltou aprofundar como essa tecnologia será explorada comercialmente e qual será a relação entre operadoras móveis e provedores satelitais.
Na avaliação do sócio da EY, o Brasil chegou ao MWC 2026 com presença ampliada e com posição competitiva relevante em infraestrutura. O país apareceu na feira não apenas com delegações e estandes, mas também com uma rede 5G em estágio de evolução que já chama atenção em comparação com mercados europeus, em que ainda há esforço para implantação do padrão 5G SA.
