MVNOs buscam sobrevivência em mercado disputado de Internet das Coisas
Empresas que atuam como operadoras móveis virtuais (MVNOs) que participaram do Fórum de Operadoras Inovadoras 2026 estão traçando estratégias para seguirem competindo em um mercado promissor de Internet das Coisas (IoT), mas cuja competição tem se tornado mais desafiadora, em função da maior atenção que vem recebendo das grandes operadoras.
Durante o evento realizado por TELETIME e Mobile Time nesta segunda-feira, 13, em São Paulo, o CEO da Arqia, Tomas Fuchs, externou preocupação com a “sobrevivência” das MVNOs em operação, sobretudo no segmento de IoT.
“As grandes operadoras sempre vão ganhar as grandes contas por preço, mas a gente sempre vai ganhar em atendimento, agilidade, planos diferenciados. A estratégia da MVNO é o atendimento”, avaliou Fuchs, acrescentando que, para se manter no mercado, “o plano B [acaba sendo] perder margem”.
O cenário teria se tornado mais complexo após decisão tomada no ano passado pela Anatel quando da aprovação do Plano Geral de Metas de Competição (PGMC). O regulamento, vale lembrar, não contemplou incentivos para o segmento.
Já Thiago Rodrigues, CEO da Links Field, disse que, com ou sem regras de referência no PGMC, as MVNOs precisam se destacar pela qualidade na prestação do serviço.
“O mercado de celulares [linhas de telefonia móvel] parou de crescer, mas, quando olhamos para o mercado de coisas, ainda há muito a crescer. Falo de duplo dígito pelos próximos anos”, pontuou.
Já Pablo Guaita, diretor geral da Deutsche Telekom Global Business, preferiu celebrar a extensão da desoneração para dispositivos de IoT, aprovada em dezembro do ano passado, afirmando que, sem a redução de carga tributária, o segmento perderia dois terços do seu potencial de crescimento.
Ele também ponderou a importância dos eventuais incentivos regulatórios. “Definitivamente, quanto mais facilitar para as MVNOs, mais ganhamos em competitividade e conseguimos fazer esse segmento crescer”, disse Guaita.
“Também somos nós que sabemos levar a tecnologia [IoT] para nichos com casos de uso específicos”, complementou.
PGMC
Algumas empresas também acreditam que a Anatel possa reavaliar a decisão sobre o PGMC. Um recurso ainda pende de análise pelo Conselho Diretor da agência.
Carlos Campos, vice-presidente de vendas Latam e General Manager Brasil da Emnify, destacou que o regulamento “frustrou expectativas”, mas lembrou que “um pedido do mercado para reavaliação [da decisão] ainda não foi analisado”.
O executivo ainda citou que os incentivos para MVNOs contribuiriam para o crescimento do mercado de Internet das Coisas (IoT), setor que ainda tem muito potencial para expansão no Brasil.
“A minha visão particular é que isso [do PGMC] é do jogo e temos que nos adaptar a essas questões. Para o mercado de IoT, deveria haver uma regulamentação específica”, defendeu.
Já o CEO da Arqia, Tomas Fuchs, demonstrou menos otimismo com uma eventual reviravolta na decisão sobre MVNOs no PGMC, o que, em sua avaliação, compromete a expansão de players no mercado de operadoras móveis virtuais.
