Domingo, 5 de Abril de 2026

Menor robô programável do mundo comprova: É possível miniaturizar a robótica

Menor robô programável do mundo mostra que é possível miniaturizar a robótica

Um dos protótipos dos robôs miniaturizados, sobre a lateral de uma moeda e ao lado de um grão de açúcar.
[Imagem: David Blaauw Lab/Michigan]

Miniaturização da robótica

Pesquisadores apresentaram os menores robôs totalmente programáveis do mundo, máquinas nadadoras microscópicas que conseguem perceber e reagir ao ambiente ao seu redor de forma autônoma, funcionam durante meses e custam poucos centavos cada um.

Quase invisíveis a olho nu, cada robô mede cerca de 0,2 por 0,3 por 0,05 milímetro, o que está na escala de muitos microrganismos. Eles podem ser programados para se mover em padrões complexos, detectar temperaturas locais e ajustar seus trajetos em resposta a elas.

Dispensando combustíveis ou baterias – eles são acionados por luz -, esses microrrobôs podem ter amplas aplicações, no monitoramento ambiental, na medicina, monitorando a saúde de células individuais, e até auxiliar na indústria, ajudando a construir dispositivos em microescala.

“Nós reduzimos o tamanho dos robôs autônomos em 10.000 vezes,” disse o professor Marc Miskin, da Universidade de Michigan, nos EUA. “Isso abre uma escala totalmente nova para robôs programáveis.”

E não é só miniaturização. Os robôs conseguem se mover em padrões complexos e até mesmo viajar em grupos coordenados, como um cardume de peixes. E como seu sistema de propulsão não possui partes móveis, os robôs são extremamente duráveis, podendo nadar por meses.

Menor robô programável do mundo mostra que é possível miniaturizar a robótica

Os microrrobôs são produzidos em uma folha (canto superior esquerdo) com aproximadamente a área da ponta de um dedo (canto inferior esquerdo). Cada robô contém células solares para captação de energia (algumas também funcionam como receptores ópticos), um sensor de temperatura em cada lado, um processador para receber informações e tomar decisões, e quatro painéis atuadores que controlam seu movimento.
[Imagem: Maya Lassiter/University of Pennsylvania]

Não nade, mova a água

Ao contrário da microeletrônica, cujo processo de miniaturização é constante, a robótica tem tido dificuldades em apresentar um ritmo similar, sobretudo porque o movimento independente é excepcionalmente difícil para dispositivos em microescala.

Operar em escala microscópica na água, por exemplo, implica em vencer um arrasto e uma viscosidade tão grandes que equivale a fazer um robô de dimensões macroscópicas se mover através de piche.

O projeto de propulsão miniaturizado contorna esse problema invertendo a lógica: Em vez de tentarem se mover sozinhos, esses microrrobôs nadadores movem a água. Eles geram um campo elétrico que impulsiona os íons no líquido circundante; esses íons, por sua vez, empurram as moléculas de água próximas, gerando a força necessária para mover o robô.

No total, cada robô precisa de 75 nanowatts de energia, o que é 100.000 vezes menos do que a energia consumida por um relógio inteligente, o que permitiu substituir a bateria por uma célula solar. Mas, como a energia também ficou reduzida, foi necessário mexer na eletrônica embarcada.

“Nós tivemos que repensar completamente as instruções do programa de computador, condensando o que convencionalmente exigiria muitas instruções para o controle da propulsão em uma única instrução especial para nos ajudar a reduzir o tamanho do programa e fazê-lo caber na pequena memória do robô,” detalhou o pesquisador David Blaauw.

Menor robô programável do mundo mostra que é possível miniaturizar a robótica

Os microrrobôs são fabricados utilizando técnicas de microeletrônica. Eles podem ser programados individualmente ou em grupo.
[Imagem: Maya Lassiter/University of Pennsylvania]

É só o começo

Para demonstração do conceito, a equipe criou um enxame robótico com cada unidade equipada com sensores que detectam a temperatura com precisão de um 0,3 ºC. Os robôs então se movem em direção a áreas de temperatura mais elevada, reportando a temperatura.

Isso pode servir como um indicador da atividade celular, permitindo monitorar a saúde de células individuais.

Devido às restrições de energia, não há conexões sem fio: Os robôs reportam suas leituras de temperatura através de movimentos ondulatórios, semelhantes à “dança do rebolado” usada pelas abelhas para se comunicar.

Versões futuras dos robôs poderão armazenar programas mais complexos, mover-se mais rapidamente, integrar novos sensores ou operar em ambientes mais desafiadores, prometem os pesquisadores.

“Este é apenas o primeiro capítulo,” disse Miskin. “Nós demonstramos que é possível inserir um cérebro, um sensor e um motor em algo quase invisível a olho nu, e que ele sobreviva e funcione por meses. Uma vez estabelecida essa base, é possível adicionar todos os tipos de inteligência e funcionalidade. Isso abre as portas para um futuro completamente novo da robótica em microescala.”

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