Mais espectro reflete em melhor 5G na América Latina, diz Ookla
A liberação de frequências de espectro para redes móveis é vital para ofertas de redes celulares mais recentes, como o 5G. É o que concluiu um estudo divulgado pela Ookla sobre o estado da rede de quinta geração móvel na América Latina realizada no terceiro trimestre de 2025, e que demonstra uma alta entrega na velocidade mediana de acesso no 5G em países que deram mais blocos.
Feito a partir do recorte local que capta sinais de redes em dispositivos 11 milhões de vezes por dia em todo mundo, a empresa de análise do mercado de telecomunicações mostra que as frequências de 3,5 GHz adquiridas em blocos de 100 MHz refletem em melhores conexões medianas. É o caso das três operadoras que tiveram o melhor resultado na amostra, são elas:
Personal, na Argentina, com 507,6 Mbps de mediana;
Claro Brasil, com 454,3 Mbps;
Vivo Brasil, com 445,2 Mbps.
Em um segundo plano estão os blocos de 80 MHz que tem como operadoras líderes:
Tigo Colômbia, com 315 Mbps;
Movistar Colômbia, com 292,5 Mbps;
Claro Argentina, com 285 Mbps.
Entre aqueles que não entregam a experiência esperada estão as operadoras que seguem usando o Dynamic Spectrum Sharing (Padrão de Espectro Dinâmico ou DSS), o padrão que antecedeu o 5G Non-Standalone e Standalone. As operadoras Entel e Claro no Peru, AT&T e Movistar no México que usam o DSS não conseguem atingir uma mediana de 70 Mbps.
A Ookla afirmou ainda que, o modo como as frequências são disponibilizadas também colabora para o desenvolvimento das redes celulares. Como exemplo positivo, a empresa citou o Brasil que fez um leilão não focado em arrecadação, mas em contrapartidas de investimentos. Já como ponto negativo e de preocupação, a empresa cita o México, que teria os custos do certame estipulados pelo Congresso.
Citando dados da GSMA, a Ookla explicou que a situação de disponibilização de espectro na América Latina aumentou 51% entre 2016 e 2024, ao passar de 267 MHZ para 403 MHz, mas é menor que a média global de 574 MHz. Acredita ainda que o cenário pode mudar com leilões de frequência em Bolívia, Equador e Colômbia que podem acontecer em breve.
Velocidade x disponibilidade do 5G
O estudo da Ookla revela ainda que o Brasil lidera em velocidade de acesso no 5G com 430,8 Mbps de mediana. Na sequência aparecem República Dominicana, com 385 Mbps, e Costa Rica, com 377 Mbps. Mas em disponibilidade de acesso, o Brasil é apenas o terceiro com 38,5% dos usuários ativos com 5G conectados em uma rede de quinta geração a maior parte do tempo. Com isso, o Brasil fica atrás de Porto Rico (88%) e Uruguai (50%) em disponibilidade.
Mesmo ficando atrás em disponibilidade da rede 5G, a Ookla reforça que o Brasil é o líder absoluto da quinta geração das redes celulares na América Latina.
Padrões e próximos passos
A Ookla também aponta o Brasil como destaque na adoção do 5G SA na América Latina com 1,6% das amostras locais com o padrão. Isso em um cenário em que Argentina, Colômbia e Costa Rica também adotaram a tecnologia, mas sequer aparecem nas métricas do estudo.
Um ponto fora da curva é Porto Rico que teve 41% das amostras com o 5G Standalone, devido a T-Mobile replicar a sua estratégia de SA dos Estados Unidos Continental na ilha caribenha.
A empresa de análise de mercado indicou ainda que o 5G tem potencial de crescimento na América Latina com o Fixed Wireless Access (FWA), em alternativa para conexões sem fio em regiões remotas ou rurais, vide Claro, Vivo e Brisanet, assim como em redes privativas em mineração, óleo e gás no Chile e Brasil.
