Quinta-feira, 5 de Março de 2026

Logística reversa ganha força e passa a integrar estratégia das empresas

Especialista da UNIASSELVI aponta avanço da legislação, fiscalização e pressão do consumidor como motores da mudança

O Brasil gera mais de 78 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, mas apenas cerca de 8% desse total é reciclado, segundo dados da Associação Brasileira de Logística Reversa. Nesse cenário, a logística reversa vem deixando de ser apenas pauta ambiental para se tornar exigência crescente para empresas de diferentes setores.

O modelo prevê o retorno de produtos e embalagens após o consumo, permitindo reaproveitamento, reciclagem ou destinação adequada dos materiais. A prática está diretamente ligada à economia circular, que busca reduzir desperdícios e reinserir recursos produtivos na cadeia econômica.

Segundo Anderson de Miranda Gomes, coordenador do curso de Logística da UNIASSELVI, o avanço das regras traz impactos operacionais importantes. As empresas precisam estruturar sistemas de coleta, rastreamento e destinação, além de estabelecer parcerias com cooperativas e operadores logísticos especializados.

O descumprimento pode resultar em multas, sanções administrativas e danos à reputação.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos já estabelece a responsabilidade compartilhada entre fabricantes, distribuidores, comerciantes e consumidores. Nos últimos anos, a fiscalização e as metas de recolhimento se intensificaram, ampliando a pressão sobre o setor produtivo.

Segmentos como eletroeletrônicos, medicamentos, pneus, baterias e embalagens já enfrentam regras mais rígidas. Um dos exemplos mais consolidados é o sistema de logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas. Em 2025, o programa brasileiro Sistema Campo Limpo reciclou quase 76 mil toneladas de embalagens vazias, crescimento de 11% em relação ao ano anterior.

Além das exigências legais, a demanda do consumidor também influencia as decisões corporativas. A pesquisa Resíduos Eletrônicos no Brasil 2025, realizada pela Green Eletron em parceria com a Radar Pesquisas, indica que 85% dos brasileiros valorizam marcas que investem em logística reversa.

Para que o sistema funcione, especialistas destacam a importância de campanhas educativas e da ampliação de pontos de coleta acessíveis. Sem a participação do consumidor, o retorno de materiais perde escala e eficiência.

Boas práticas incluem o desenvolvimento de produtos mais fáceis de desmontar, o uso de materiais recicláveis e a integração da logística reversa ao planejamento estratégico das empresas. Cooperativas de reciclagem também desempenham papel central no processo, contribuindo para geração de renda e inclusão social.

Com a crescente pressão por compromissos ambientais, sociais e de governança, a logística reversa passa a ser vista como oportunidade de inovação e vantagem competitiva. Empresas que se antecipam às exigências regulatórias tendem a fortalecer sua reputação e ampliar eficiência na gestão de recursos.

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