Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Investimento de teles cai em termos reais no 1º tri

 Após reforço nos investimentos no período de 2020 a 2022, as operadoras de telecomunicações desaceleraram seus desembolsos no primeiro trimestre deste ano, conforme indica levantamento do sindicato Conexis Brasil Digital. Entre janeiro e março, os investimentos totalizaram R$ 7,6 bilhões, o que representa – em termos nominais – alta de 2,7% na comparação com o mesmo período de 2023. Só que em termos reais, descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o investimento das operadoras encolheu 1,3% na mesma base de comparação. 

 Depois de alcançarem R$ 9,6 bilhões em valores reais no primeiro trimestre de 2021, os investimentos das operadoras caíram para R$ 8,9 bilhões em igual período de 2022 e para R$ 7,7 bilhões um ano depois (janeiro a março de 2023). 

 “Os investimentos vêm voltando aos níveis históricos”, resume Marcos Ferrari, presidente-executivo do Conexis Digital Brasil, sindicato que reúne as maiores operadoras do país. Ferrari explica que o aumento da demanda por serviços de telecomunicações durante a pandemia, somada ao lançamento comercial do 5G no país em 2022, alavancou os investimentos nos últimos anos. 

 Na esteira desses desembolsos, a receita gerada pelos serviços de banda larga fixa saltou de R$ 13,6 bilhões no primeiro trimestre de 2020 para R$ 22,7 bilhões nos três primeiros meses de 2024, expansão de 67% em termos nominais. No mesmo período, a receita de telefonia móvel teve expansão nominal de 21,7%. 

 Entre janeiro e março de 2024, o faturamento das empresas com serviços de banda larga cresceu quase 7% na comparação com igual trimestre do ano anterior. O percentual é menor que o verificado entre o primeiro trimestre de 2023 e o mesmo período do ano anterior: alta de 17%. 

 Na telefonia móvel, o total de antenas 5G instaladas no país somava 23.088 ao fim de março, acréscimo de aproximadamente dez mil unidades ao longo de um ano. “Eram cerca de 13 mil no fim do primeiro trimestre de 2023”, compara o presidente-executivo do Conexis. 

 Ao todo, o número de antenas de telefonia móvel no país, considerando não só a 5G, chegou a 98 mil em março, avanço de quase 11% em termos anuais. O número de antenas no país já foi maior. Em março de 2021, eram 103,2 mil, mas Ferrari lembra que nesse meio tempo ocorreu a venda da Oi Móvel e a posterior consolidação da rede da operadora, adquirida por Claro, TIM Brasil e Vivo. 

 Apesar da expansão da banda larga fixa e do aumento da cobertura 5G, a receita bruta do setor de telecomunicações continua em queda, descontada a inflação. No primeiro trimestre deste ano, o faturamento total alcançou R$ 69,8 bilhões, retração de 1,4% ante igual período de 2023, em valores reais. A comparação com o mesmo período de 2022, 2021 e 2020 também mostra quedas sequenciais no faturamento. 

 “Essa queda de faturamento em nível nacional não reflete o que vemos nas empresas listadas na bolsa”, ressalta Leonardo Olmos, diretor-executivo do UBS e analista de telecomunicações, mídia e tecnologia responsável por América Latina. “Temos visto crescimento de 5% a 10% nas grandes ‘telcos’ e maior de 10% nas operadoras regionais. Acreditamos que elas vão continuar crescendo acima da inflação em 2025”, acrescentou. 

 Na visão de Olmos, a queda de faturamento do setor pode estar ligada a subsegmentos de telecomunicações, como talvez o de torres, e não necessariamente a serviços de conectividade. 

 

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