Indústria pode ser protagonista na transição energética
A partir de iniciativas como o reaproveitamento de materiais e do design de produtos de maior longevidade, a indústria brasileira pode ter um papel importante na transição energética, defenderam lideranças do setor no Estadão Summit ESG 2024, no Teatro B32, em São Paulo.
O tema foi discutido no brand talk sobre os desafios da indústria nacional atuante na Amazônia a pouco mais de um ano da realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, em novembro de 2025. A mediação foi do jornalista Eduardo Geraque.
Presidente executiva da Associação Brasileira de Alumínio (Abal), Janaina Donas, afirmou que a COP de Belém pode ser uma oportunidade de discutir questões climáticas sem dissociá-las do desenvolvimento econômico e social. “Para mostrar o que estamos fazendo e trazer reflexões importantes”, ressaltou.
Ela também defendeu a economia circular como parte da rota de descarbonização do setor e mencionou que o País é uma referência mundial em reaproveitamento de alumínio.
Nos últimos 15 anos, cerca de 95% das latas com esse material são posteriormente recicladas no País. “Isso é reflexo de investimentos da indústria”, exemplificou a representante da Abal.
Já o presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (Abrace Energia), Paulo Pedrosa, defendeu uma nova postura federal em relação à política energética, mesmo que implique inicialmente um aumento das emissões. “É uma situação desafiadora”, admitiu ele, que chamou a situação atual de uma “política industrial antienergética”.
SOLUÇÕES LOCAIS. No mesmo painel, Rodolfo Zamian Danilow, consultor sênior de Relações Governamentais da Hydro Brasil, falou como a empresa tem buscado soluções locais para a transição energética. Um exemplo é um estudo em conjunto com uma universidade do Pará (onde atua) para o uso do caroço de açaí como biomassa.
“É um resíduo da produção de açaí após a extração da polpa”, explicou. Também destacou outras medidas. “A COP30 na região amazônica é um momento oportuno para mostrar exemplos concretos de desenvolvimento econômico e energético”, declarou. “Vai ser um evento muito importante para o País.” •
Alternativas
Economia circular pode ajudar o Brasil a trilhar rota para produzir com menos poluição
