Indústria eletroeletrônica mostra preocupação com aumentos de custos de componentes e de matérias-primas
A indústria eletroeletrônica está preocupada com o aumento das pressões sobre os custos de componentes e matérias-primas, de acordo com Sondagem referente a maio de 2026, realizada pela Abinee, que também detectou desempenhos distintos nos principais indicadores do setor.
Nessa pesquisa, 52% das empresas indicaram crescimento nas vendas/encomendas em relação ao mesmo mês do ano passado. Esse resultado foi 6 pontos percentuais acima dos 46% apontados na pesquisa anterior.Em relação ao mês imediatamente anterior, as indicações de crescimento nas vendas/encomendas também aumentaram, passando de 26% para 44%. Por outro lado, o percentual de entrevistadas que relataram negócios abaixo do esperado, que estava em 37% em março e subiu para 53% em maio.
A utilização da capacidade instalada recuou 1 ponto percentual, passando de 77% em abril para 76% em maio. Sobre o nível de emprego, houve crescimento de 10% para 12% no total de empresas que citaram aumento no número de funcionários, concomitantemente à redução de 13% para 5% nas indicações de queda. A maior parte das pesquisadas, 83%, apontou estabilidade no nível de emprego.
A maior parte das entrevistadas indicou normalidade na situação dos estoques de matérias-primas e componentes e de produtos acabados, o que foi relatado por 70% e 62% das empresas, respectivamente.
Diferente do ocorrido na sondagem anterior, diminuíram as indicações de estoques de matérias-primas e componentes abaixo do normal, que passaram de 13% para 8%. Em produtos finais, o percentual permaneceu em 14%.
Nesse levantamento, 26% das entrevistadas comentaram dificuldades na obtenção de financiamentos para capital de giro, 4 pontos percentuais abaixo do verificado na pesquisa anterior (30%). 64% das empresas pesquisadas não utilizam esses instrumentos.
A sondagem registrou a segunda queda seguida no número de entrevistadas que relataram pressões em alguns custos, tais como de energia, água, impostos, entre outros, que passou de 39% em março para 25% em maio.
COMPONENTES E MATÉRIAS-PRIMAS – Na sondagem de maio, 57% das entrevistadas informaram pressões nos custos de componentes e matérias-primas, 15 pontos percentuais abaixo do registrado na sondagem anterior (72%). Foi a primeira redução neste percentual depois de 5 aumentos consecutivos.
Ainda assim, este percentual segue elevado, muito acima dos registrados nos anos anteriores, indicando que as pressões sobre os custos de componentes e matérias-primas continuam entre os principais desafios enfrentados pelo setor neste ano.
De acordo com a sondagem, os aumentos de custos ocorreram principalmente em memórias, plásticos, polímeros, PVC, resinas e demais derivados de petróleo, bem como no cobre e em outros insumos.
O cenário de incertezas com tensões geopolíticas e a escalada do petróleo com os conflitos no Oriente Médio vem influenciando os preços desses insumos.
Especificamente no caso de memórias, as empresas relataram que o aumento da demanda mundial por estes itens, especialmente impulsionado pela área de Inteligência Artificial, tem provocado elevação dos preços de memórias no mercado internacional, o que também vem impactando os preços das memórias no mercado brasileiro.
Em resposta aos aumentos expressivos nos custos de insumos e matérias-primas, 62% das entrevistadas informaram que já tiveram que reajustar os preços dos seus produtos finais.
Na comparação entre os preços praticados em maio de 2026 e aqueles registrados em dezembro de 2025, observaram-se aumentos médios significativos neste período. 15% das empresas informaram aumentos entre 11% e 20%. Para 12% das entrevistadas, os reajustes variaram entre 21% e 30%, e outras 10% relataram elevações superiores a 31%.
A sondagem também identificou que, além da elevação dos custos, as empresas vêm enfrentando maior dificuldade na aquisição de componentes e matérias-primas, em razão da falta desses itens no mercado.
Neste levantamento, 27% das empresas relataram esse problema, 4 pontos percentuais abaixo do observado em abril (31%). Ainda assim, este foi um dos maiores percentuais desde julho de 2023 (28%) e também está bem acima dos 3% verificados no final do ano passado. Neste caso, os itens mais citados foram as memórias.
COMÉRCIO INTERNACIONAL – Neste levantamento, 30% das entrevistadas apontaram aumento nas exportações, 9 pontos percentuais abaixo da pesquisa anterior (39%). Com isso, as indicações de crescimento das exportações (30%) foram inferiores aos relatos de queda (32%).
Permaneceu em 19% o número de empresas exportadoras que relataram problemas no envio de cargas por via marítima. Em janeiro de 2026, apenas 2% das entrevistadas haviam dado essa indicação.
No caso das importações, 23% das entrevistadas indicaram atrasos no recebimento de cargas importadas, considerando todos os modais de transporte. Este resultado também foi superior ao registrado no início do ano, que estava em 12%.
EXPECTATIVAS – A sondagem mostrou que, mesmo em um cenário de incertezas, a indústria elétrica e eletrônica projeta crescimento para 2026, porém com uma expansão mais modesta do que a registrada em
2025.
O índice de confiança do setor ficou abaixo da linha divisória de 50 pontos em quase todos os meses de 2025, com exceção apenas do mês de março, permanecendo nessa situação há catorze meses consecutivos, o que indica falta de confiança do empresário.
Os industriais do setor continuam cautelosos com o cenário interno do país, principalmente devido à inflação, taxas de juros elevadas e desajuste fiscal na economia. Além disso, observam-se preocupações em relação aos níveis elevados de endividamento e da inadimplência, que limitam o crescimento do consumo das famílias.
No cenário externo, os conflitos geopolíticos, particularmente no Oriente Médio, têm elevado a instabilidade e preocupação global.
A sondagem indicou que 61% das entrevistadas estão prevendo crescimento nas vendas/encomendas em 2026. Porém, apesar de permanecer elevado, este percentual vem caindo a cada mês, situando-se 20 pontos percentuais abaixo dos 81% indicados no levantamento de dezembro. Ainda para 2026, 23% das empresas esperam estabilidade e 16%, queda.
