Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Indústria eletroeletrônica defende diplomacia em resposta a tarifas de Trump

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) defendeu a diplomacia como “chave para previsibilidade nas relações Brasil-Estados Unidos” após o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

A entidade que reúne fabricantes do setor elétrico e eletrônico – incluindo parte da cadeia fornecedora de telecom – manifestou preocupação com o anúncio feito na última quarta-feira, 9. “Caso entre em vigor a partir de 1º de agosto, a medida poderá provocar impactos relevantes nas exportações brasileiras e nas relações comerciais entre dois países tradicionalmente parceiros”, declara a Abinee.

A associação reconheceu que a decisão unilateral não tem justificativa econômica, uma vez que o fluxo de comércio entre Brasil e Estados Unidos é superavitário em favor dos norte-americanos.

“No caso do setor eletroeletrônico, os negócios com os Estados Unidos no primeiro semestre deste ano registraram saldo negativo para o Brasil de US$ 1,3 bilhão, com exportações de US$ 1,1 bilhão e importações de US$ 2,4 bilhões”, afirma a nota.

Ainda assim, os Estados Unidos foram os principais destinos das exportações de produtos do setor, ampliando sua participação de 26% para 29% no primeiro semestre, após crescimento de 23,1% nas exportações para lá, comparado com igual período de 2024

Na visão da Abinee, a medida afetaria, principalmente, as vendas externas de equipamentos elétricos de grande porte (principais itens exportados do setor), motores e geradores, componentes para equipamentos industriais, máquinas para processamento e dados e instrumentos de medida, entre outros.

Diplomacia
“Dessa forma, o Brasil terá que ir à mesa de negociação para reverter esse nível tarifário, que inviabilizará as vendas externas das empresas do setor”, demanda a entidade.

“É importante que o diálogo entre os dois países seja preservado, mantendo uma tradição diplomática de cerca de 200 anos, alicerçada no intercâmbio comercial e cultural, com resultados benéficos para o desenvolvimento econômico e social de ambas nações”.

As tarifas contra o Brasil anunciadas por Trump têm como justificativas a alegada “perseguição” ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo investigado e julgado por tentativa de golpe de Estado; a atuação da Justiça brasileira em relação às empresas norte-americanas de Internet; e o que Trump alega serem relações comerciais desfavoráveis aos Estados Unidos, apesar da balança comercial do país com o Brasil ser favorável aos norte-americanos.

Ao reagir ao anúncio, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, lembrou que “qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica”, aprovada neste ano pelo Congresso.

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