IA e upload ampliam pressão por adensamento de redes móveis
O crescimento no consumo de dados impulsionado pela inteligência artificial (IA) e por outros casos de uso que exigem maior capacidade de upload está ampliando a necessidade de adensamento de redes móveis, em esforço que já mobiliza operadoras, fornecedoras e empresas de infraestrutura.
O tema foi discutido nesta segunda-feira, 13, durante o Fórum de Operadoras Inovadoras 2026, evento promovido pelo Mobile Time e por TELETIME em São Paulo.
Flávia Bittencourt, diretora de customer solutions da Ericsson, destacou que a necessidade de adensamento de redes já é real. Dados de uma pesquisa de 2025 da fornecedora indicam que 60% dos usuários brasileiros relatam algum tipo de situação onde rede móvel deixou a desejar.
A percepção é mais comum em situações como o transporte público ou em locais que recebem grandes eventos, como estádios. Com a consolidação da IA, há risco desta percepção de insatisfação atingir patamares ainda maiores.
“A tendência é que tráfego de IA dobre até 2030, e o número de usuários que usam IA fora de casa também vai dobrar, com até 40% do tráfego cursado em IA sendo fora de casa”, alertou Bittencourt.
O cenário não passa despercebido para operadoras como a Surf Telecom. Átila Xavier, CTIO da empresa, avaliou que ainda que as redes de telefonia brasileiras ofereçam um serviço satisfatório, ainda há muitas oportunidades para melhoria da infraestrutura.
Neste sentido, Xavier lembra que antes mesmo da IA, a necessidade de maior capacidade de upload já era uma questão. Para ele, a arquitetura de redes do 5G com 80% dos recursos destinados ao download e 20% ao upload deve ser repensada em prol de uma partição que considere novos hábitos do usuário.
Adensamento em andamento
O adensamento das redes, contudo, tem avançado no Brasil. Rodrigo Viegas, diretor de infraestrutura móvel da V.tal, destacou que a empresa já instalou mais de 400 nodes de infraestrutura a nível de rua (SLS, na sigla em inglês) para ajudar operadoras móveis a cumprirem metas regulatórias de cobertura.
O executivo também relatou importantes projetos pontuais realizados ao lado das teles (como infraestrutura de dados para festas populares no Nordeste). Em paralelo, um movimento que começa a ganhar tração é a demanda de redes privativas em empreendimentos como estádios de futebol e aeroportos.
