Domingo, 5 de Abril de 2026

Huawei e Matrix fecham acordo para fornecimento de sistema para armazenamento de energia

 A Huawei Digital Power, braço de energia do conglomerado chinês Huawei, e a Matrix, empresa que tem como controladores o fundo de investimentos Prisma e o grupo Duferco, assinaram um contrato para triplicar o fornecimento de equipamentos a partir de 2025. O acordo amplia a capacidade contratada anteriormente, expandindo de 250 megawatt-hora (MWh) para 750 MWh ao longo dos próximos dois anos. 

 As empresas não revelam o valor do contrato, mas, de acordo com valores médios do mercado, o volume financeiro gira em torno de R$ 500 milhões. A Huawei fornecerá os equipamentos e a Matrix busca os clientes para implementação de sistemas de armazenamento de energia conhecida como BESS (Battery Energy Storage System, na tradução para o inglês) 

 Esse arranjo financeiro se baseia no conceito de energia como serviço (“energy as a service”, em inglês). Nesse modelo, os clientes pagam por um serviço sem precisar realizar os investimentos, por exemplo, em infraestrutura ou equipamentos. 

 O diretor da unidade de negócios da Matrix, Alexandre Gomes, explica que o foco são clientes finais, como shoppings, frigorífico, indústria alimentícia, ou seja, consumidores com uma tarifa de energia que varia de R$ 30 mil até R$ 600 mil por mês 

 “Já compramos 250 MWh e assinamos o compromisso de mais 500 MWh em até dois anos (…). A Huawei ganha na venda do equipamento e a Matrix ganha no com o serviço ao cliente”, afirma. 

 Segundo Gomes, a escolha de um fornecedor chinês se deve, entre outras coisas, ao fato de as empresas nacionais ainda não conseguirem produzir esse volume dentro das especificações que a Matrix busca. 

 O gerente sênior de pesquisa e desenvolvimento da Huawei, André Foster, diz que há muito mercado disposto a absorver essa oferta para reduzir os riscos causados pela indisponibilidade no fornecimento de energia e abastecimento contínuo de operações críticas. 

 “No período de um ano, comercializamos quase todos os 250 MWh do primeiro contrato e, a partir de janeiro de 2025, começamos o novo contrato”, diz. 

 Esse tipo de associação de empresas tem se tornado comum no setor elétrico, já que os clientes de diversos portes têm buscado serviços associados à energia, como gestão de tarifas, eficiência energética, descarbonização e geração distribuída. 

 A Moura fechou com a Eletrobras um contrato de R$ 15 milhões para dar estabilidade e segurança em uma subestação em Alagoas. Em 2023, a catarinense WEG anunciou R$ 100 milhões em uma fábrica de baterias em Jaraguá do Sul (SC). Outra empresa que ganhou fôlego é a Micropower, joint venture entre Siemens, Comerc e Equinor. Em 2023, a empresa implementou baterias no Terminal da Ilha Guaíba da Vale, no Rio de Janeiro. 

 A possibilidade de sistemas de armazenamento participarem do leilão de Reserva de Capacidade, ainda neste ano, esbarra na falta de regulamentação para criar um ambiente mais adequado para definir os modelos de negócio. Mesmo assim, o evento está movimentando o segmento no Brasil. Apesar de não haver confirmação oficial, fabricantes de equipamentos, como UCB Power, WEG, Moura, entre outros, já ajustam linhas de produção e anunciam investimentos para atender a uma possível demanda. 

 

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