Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Hidrogênio e oxigênio são produzidos simultaneamente com um único átomo

Hidrogênio e oxigênio são produzidos simultaneamente com um único átomo

Esquerda: Na eletrólise convencional da água com membrana de troca aniônica, são necessários catalisadores diferentes no ânodo e no cátodo. Direita: O catalisador “tudo-em-um” de átomo único permite reações tanto no ânodo quanto no cátodo com um único catalisador, simplificando a arquitetura do eletrodo e, simultaneamente, reduzindo o uso de metais preciosos e os custos de fabricação.
[Imagem: Quynh Phuong Ngo et al. – 10.1002/aenm.202506645]

Evolução da eletrólise

Quando o assunto é substituir combustíveis poluentes por combustíveis limpos, tudo parece muito simples à primeira vista: Basta produzir hidrogênio verde, usando a eletricidade de fontes renováveis, como eólica e solar, para quebrar as moléculas de água por meio de eletrólise.

O problema é que quebrar a molécula de H2O em seus dois componentes elementares através da eletricidade é um processo que ocorre em dois atos simultâneos, que acontecem em eletrodos opostos.

A reação de evolução do hidrogênio, responsável pela produção efetiva do tão desejado gás, ocorre no cátodo, o polo negativo, onde os prótons (H+) recebem elétrons da fonte de energia e são reduzidos a gás hidrogênio (H2). São duas etapas, com o hidrogênio se ligando à superfície do catalisador e, em seguida, os átomos se combinando para formar a molécula de gás.

A reação de evolução do oxigênio ocorre no ânodo, o polo positivo, e representa o “calcanhar de Aquiles” do processo. Os íons hidroxilas (radicais OH) são oxidados, liberando elétrons, prótons e gás oxigênio (O2), mas essa reação envolve quatro elétrons e ligações oxigênio-oxigênio complexas, o que a torna muito lenta.

O resultado é que os sistemas de eletrólise atuais exigem catalisadores e estruturas de eletrodos diferentes para cada uma das reações, o que implica no uso de grandes quantidades de metais preciosos e caros – catalisadores de platina, por exemplo. Além disso, o aglutinante utilizado para fixar o catalisador ao eletrodo é outra fonte de problemas, apresentando queda na condutividade elétrica e desprendimento do catalisador durante a operações de longo prazo.

Assim, é fácil ver o impacto da criação de uma rota em que tudo isto pode ser substituído por uma reação envolvendo um único átomo.

Hidrogênio e oxigênio são produzidos simultaneamente com um único átomo

Este esquema ilustra a fabricação do catalisador de átomo único pela introdução de um agente de ancoragem molecular (ácido fítico) em uma estrutura de hidróxido duplo em camadas de manganês e níquel, permitindo a imobilização uniforme do irídio (Ir) em escala atômica.
[Imagem: Quynh Phuong Ngo et al. – 10.1002/aenm.202506645]

Catalisador tudo-em-um

Quynh Ngo e colegas do Instituto de Ciência e Tecnologia da Coreia desenvolveram uma técnica para fazer a eletrólise da água em uma única etapa, produzindo hidrogênio e oxigênio simultaneamente a partir de um único átomo.

A técnica se baseia na integração de um catalisador “tudo-em-um” de átomo único – um catalisador controlado com precisão em nível atômico – com uma tecnologia de eletrodo sem aglutinante. O resultado é uma tecnologia capaz de realizar, de forma estável, as reações de evolução do hidrogênio e de evolução do oxigênio simultaneamente em um único eletrodo.

O catalisador ainda emprega um elemento raro e caro, o irídio, pertencente ao grupo da platina, mas em quantidades minúsculas e juntamente com elementos de baixo custo – e os ganhos de eficiência tornam esse um detalhe ainda de menor impacto. Os pesquisadores utilizaram uma tecnologia de controle de precisão em nível atômico para dispersar uniformemente átomos de irídio (Ir) na superfície de um suporte de hidróxido duplo lamelar à base de manganês (Mn) e níquel (Ni), incorporando ácido fítico

Essa estratégia substituiu o uso convencional de irídio metálico em massa, maximizando o número de sítios ativos para reações de quebra da água com uma quantidade mínima de irídio – pense nisso como usar uma distribuição uniforme de grãos finos de areia, em comparação com usar uma única “pedra” grande do metal nobre.

Hidrogênio e oxigênio são produzidos simultaneamente com um único átomo

Em comparação com catalisadores de última geração, o desempenho de longo prazo da eletrólise da água com membrana de troca aniônica do catalisador de átomo único “tudo-em-um” apresentou uma degradação marcadamente menor durante a operação prolongada, mesmo em alta densidade de corrente.
[Imagem: Quynh Phuong Ngo et al. – 10.1002/aenm.202506645]

Ciências aquáticas e marinhas

Catalisador de átomo único

Olhando em detalhe para a reação de quebra da molécula de água, o átomo único de irídio funciona como um sítio ativo direto para a reação de evolução do hidrogênio, por meio de sua forte interação com o suporte, enquanto simultaneamente aprimora o desempenho catalítico do sítio ativo à base de níquel, onde ocorre a reação de evolução do oxigênio.

Assim, um catalisador de átomo único alcança características catalíticas bifuncionais, apresentando reatividade adequada para ambas as reações. Além disso, a equipe aplicou um método de crescimento direto do catalisador na superfície do eletrodo, obtendo uma estrutura que não requer um aglutinante separado. Isso melhorou significativamente a condutividade elétrica e garantiu excelente durabilidade mesmo durante operação de longo prazo.

“Este trabalho é extremamente significativo, resolvendo as duas reações essenciais para a produção de hidrogênio usando um único catalisador, reduzindo o consumo de metais preciosos. Essa tecnologia acelerará a comercialização de dispositivos de eletrólise da água e fornecerá um suporte substancial para a expansão da energia do hidrogênio,” disse o professor Na Jongbeom, coordenador da equipe.

 

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