GSMA coloca Brasil abaixo da Europa em ranking de maturidade do 5G
A GSMA Intelligence divulgou o relatório The State of 5G 2026, no qual o Brasil aparece na 39ª colocação entre 46 mercados avaliados no 5G Connectivity Index, com 39 pontos. No recorte regional do estudo, a Europa fica acima das Américas, e todos os mercados europeus listados aparecem à frente do Brasil no ranking por país.
O 5G Connectivity Index foi atualizado para medir duas frentes: infraestrutura e serviços. Na infraestrutura, entram indicadores como espectro, estações 5G, cobertura, 5G standalone, 5G-Advanced, qualidade de experiência e prontidão para aplicações móveis de IA. Na parte de serviços, o estudo inclui acessibilidade de planos e aparelhos, penetração de assinantes, embarques de dispositivos 5G, FWA, tráfego de dados por usuário, crescimento de receita, IoT e RedCap.
Essa metodologia ajuda a explicar a posição do Brasil. Houve avanço global nos fundamentos do 5G, como cobertura, acessibilidade e adoção, mas as diferenças entre os mercados aparecem com mais clareza nas capacidades mais avançadas. Entre elas estão 5G standalone, 5G-Advanced, upload, qualidade de experiência, FWA, IoT, RedCap e uso de dados.
O próprio estudo registra que o Brasil está entre os mercados que avançaram mais rapidamente no lançamento de 5G standalone, ao lado de Japão, Tailândia, Estados Unidos, China, Austrália, Emirados Árabes Unidos e França. Ao mesmo tempo, a GSMA informa que a escala de uso ainda é desigual: mais de 80 operadoras no mundo já lançaram 5G standalone, mas apenas seis mercados tinham adoção acima de 10% nas amostras de 5G SA medidas pela Ookla.
Por que a Europa aparece à frente
O estudo atribui o desempenho a diversos fatores, mostrando que os mercados mais bem posicionados combinam avanço de infraestrutura com uso disseminado, maior densidade de sites, melhor experiência, maior penetração e serviços mais acessíveis. No caso europeu, vários países se concentram nas faixas intermediárias e superiores do índice, enquanto o Brasil permanece no Tier 4, reservado aos mercados com nota inferior a 40.
A GSMA descreve o Tier 4 como o grupo de mercados em estágio inicial de desenvolvimento do 5G, com cobertura ainda parcial, implantação limitada, ausência ou estágio inicial de 5G standalone e 5G-Advanced, além de notas mais baixas em experiência, prontidão para IA, penetração de 5G, embarques de dispositivos e FWA.
Na Europa, o relatório destaca a concentração de mercados no Tier 2. São países com bom desempenho em adoção e acessibilidade, mas ainda com lacunas em densidade de estações, evolução do standalone e 5G-Advanced em relação ao grupo líder. Ainda assim, esse conjunto os mantém acima do Brasil no ranking geral.

Líderes e preparação para a próxima etapa
Os mercados líderes reúnem cobertura ampla, maior implantação de sites, uso avançado de 5G standalone, primeiros movimentos em 5G-Advanced e melhor desempenho em experiência e serviços. No bloco nórdico, a GSMA destaca cobertura de 99%, avanço do standalone principalmente em Finlândia e Dinamarca, forte desempenho em latência, upload, consistência e qualidade de experiência.
No caso da China, o relatório aponta ampla disponibilidade de 5G, alta densidade de rede, adoção de standalone em torno de 80%, liderança em IoT e avanço em RedCap e 5G-Advanced. Nos Estados Unidos, o destaque está nos serviços acessíveis, FWA em escala e adoção de standalone de 32%.
O estudo aponta a aceleração do 5G standalone, a busca por monetização com banda larga móvel e FWA, o avanço do 5G-Advanced e a adaptação das redes a novas exigências de aplicações baseadas em IA, especialmente em upload, confiabilidade e consistência.
Ranking de países no 5G Connectivity Index
Kuwait lidera com 76 pontos. Em seguida vêm Emirados Árabes Unidos, Catar e Finlândia, com 72; China, com 70; Estados Unidos, Coreia do Sul e Dinamarca, com 69. O Brasil aparece em 39º lugar, com 39 pontos, à frente apenas de África do Sul, Indonésia, Filipinas, Colômbia, Uzbequistão, México e Nigéria.

