Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Grupo investe R$ 25 milhões para produzir celulose reciclada no Sul

 O grupo paranaense Technocoat vai investir R$ 25 milhões para construir sua primeira fábrica dedicada à produção de fibras de celulose a partir de embalagens longa vida (ELV) pré e pós-consumo, de aparas (sobras) e tubetes de kraft e de papel cartão. 

 Localizada em Telêmaco Borba, na região dos Campos Gerais, no Paraná, a nova unidade, Technofibra, terá capacidade de processar cerca de 5 mil toneladas de fibras celulósicas por mês. A inauguração está prevista para novembro. 

 “Queremos mostrar ao mercado que embalagens sustentáveis de papel com barreiras termoplásticas e alumínio, por exemplo, podem ser separadas, recicladas e reintroduzidas na cadeia de consumo como uma nova fibra de papel”, afirma Cristiano Macedo, presidente do grupo. 

 O valor anunciado inclui a instalação fabril, a aquisição de equipamentos automatizados, o desenvolvimento do laboratório de controle de qualidade, a implantação de práticas de sustentabilidade e a reciclagem da matéria-prima. 

 A fibra de celulose reciclada é um material obtido a partir da reciclagem de papéis e produtos de papel, como embalagens, jornais e revistas. 

 Durante o processo de reciclagem, esses materiais são desintegrados, purificados e transformados em fibras de celulose que podem ser reutilizadas na fabricação de novos produtos. 

 Entre os principais usos do papel reciclado, destaca-se a produção de embalagens para alimentos, medicamentos e cosméticos. Segundo levantamento da FGV/ Ibre, em parceria com a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e a Associação Brasileira de Embalagens em Papel (Empapel), o índice de reciclagem médio de papéis para embalagem foi de 64% no ano passado. Em volume, isso representa 3,84 milhões de toneladas. 

 Com 4,2 mil metros quadrados de área construída, a unidade vai contar com duas linhas de operação. A primeira será capaz de reciclar 3,7 mil toneladas de ELV, produzindo 2,5 mil toneladas de fibras celulósicas por mês, além de 800 toneladas mensais de um segundo composto formado por alumínio e polietileno. 

 Já a segunda, com capacidade de produção de 2,5 mil toneladas por mês, tem como foco a reciclagem de aparas de kraft, aparas de papel cartão e tubetes de kraft. 

 A unidade terá ainda a capacidade para armazenar 2 mil toneladas de matéria-prima e 1 mil toneladas de produto acabado. 

 Segundo Macedo, o foco inicial será a produção de fibras celulósicas, mas a expansão para a produção de papel no futuro pode ser considerada. “Acreditamos que a América do Sul oferece oportunidades significativas de crescimento nesse mercado”, avalia o executivo. 

 Atualmente, a maior recicladora de papéis no país é a Klabin. Com quatro fábricas dedicadas a esse processo, sendo três em São Paulo e uma em Pernambuco, a companhia produz mais de 400 mil toneladas de papel reciclado por ano. 

 

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