Quinta-feira, 12 de Março de 2026

Governo vê desgaste com imposto de importação sobre eletrônicos e máquinas e defende rever medida

Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva admitem, nos bastidores, que a decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) de elevar o imposto de importação sobre 1.252 itens de informática e bens de capital provocou desgaste político — especialmente em ano eleitoral.

A medida, aprovada no fim de janeiro, atinge produtos como celulares, máquinas e equipamentos industriais. A estimativa da equipe econômica é arrecadar cerca de R$ 14 bilhões com a mudança.

Revisão pode ocorrer caso a caso

Diante da pressão de empresários e da repercussão explorada pela oposição, uma ala do Executivo defende reavaliar parte das alíquotas. A sinalização é de que poderá haver análise individual de setores afetados.

A resolução prevê isenção automática por 120 dias para importadores que tinham alíquota zerada antes da elevação. Produtos sem equivalente nacional ou destinados à Zona Franca de Manaus também seguem com regimes diferenciados.

A Camex é vinculada ao Ministério da Indústria, Comércio e Serviços, comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. O colegiado volta a se reunir nesta sexta-feira (27).

Governo nega impacto nos preços

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a medida não deve pressionar a inflação.

Segundo ele, cerca de 90% dos celulares vendidos no país são produzidos localmente. O argumento central é que o aumento da tarifa visa evitar concorrência considerada desleal de produtos importados que competem com fabricantes instalados no Brasil.

A nota técnica do ministério sustenta que o impacto inflacionário seria indireto e limitado, já que bens de informática e de capital são majoritariamente utilizados como insumos produtivos.

Indústria apoia, oposição critica

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) manifestou apoio à decisão, defendendo que o incentivo à produção nacional fortalece a cadeia tecnológica, amplia empregos e estimula pesquisa e desenvolvimento.

Já o senador Flávio Bolsonaro criticou a medida, afirmando que o consumidor poderá pagar mais caro por produtos como celulares.

Nos corredores de Brasília, há quem reconheça que elevar imposto de importação sobre eletrônicos em ano eleitoral pode ter sido um cálculo político arriscado. Em economia, timing é tudo — e às vezes o relógio cobra caro.

Fantasmas recentes voltam ao debate

O episódio reacende memórias de embates anteriores, como a chamada “taxa das blusinhas”, que envolveu importações de plataformas asiáticas, e as controvérsias sobre fiscalização de transações via Pix.

O governo insiste que se trata de política industrial para fortalecer a produção interna. A oposição tenta enquadrar o tema como aumento indireto de carga tributária.

 

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