Governo reúne indústria para definir reação à tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros
O governo federal dá início nesta terça-feira (21) a uma série de reuniões com representantes da indústria brasileira para discutir os efeitos da tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil. A proposta é alinhar as primeiras medidas de resposta, ouvir as necessidades dos setores atingidos e consolidar uma estratégia conjunta antes da implementação das ações.
A primeira etapa das conversas envolve entidades ligadas aos segmentos automotivo, de máquinas e equipamentos, têxtil, calçadista, plástico, eletroeletrônico e de pneus. Participam das reuniões representantes da Anfavea, Sindipeças, Abmaq, Abit, Abicalçados, Abiplast, Abinee e Anip.
Os encontros são coordenados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), sob a liderança do ministro Márcio Elias Rosa. Entre as prioridades está a busca por alternativas para reduzir os impactos da nova tributação sobre as empresas brasileiras que dependem do mercado norte-americano.
Um dos principais pontos em discussão é a abertura de novos destinos para as exportações brasileiras, além da elaboração de um pacote de apoio voltado às empresas afetadas. As medidas devem integrar uma nova fase do Plano Brasil Soberano, voltada ao fortalecimento da competitividade do setor produtivo.
Segundo projeções do MDIC, a sobretaxa deverá atingir aproximadamente 18% das vendas brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o ministério destaca que 57% das exportações continuarão livres da nova cobrança, enquanto cerca de 24% dos produtos já estavam submetidos a regras tarifárias específicas relacionadas ao comércio de aço e alumínio.
Para fortalecer a inserção dos produtos brasileiros em outros mercados, a ApexBrasil reservou R$ 130 milhões para ações de promoção comercial. Entre as iniciativas previstas está o financiamento da vinda de empresários estrangeiros ao Brasil para negociações com empresas nacionais.
A estratégia também prevê ampliar a presença do Brasil em mercados considerados estratégicos, como os países da União Europeia, beneficiados pelo acordo entre Mercosul e União Europeia, além de nações do Sudeste Asiático e da Ásia Central, incluindo Uzbequistão e Cazaquistão.
