Governo recua e suspende aumento de imposto sobre celulares e notebooks
O Governo Federal oficializou a desistência de elevar o imposto de importação sobre eletrônicos. A medida, que visava arrecadar R$ 14 bilhões, foi cancelada após forte resistência de empresas e repercussão negativa nas redes sociais.
O plano original e a reação do mercado
A proposta, oficializada pela resolução gecex nº 852 no fim de janeiro, previa o aumento da taxação de mais de 1.200 produtos. Itens como celulares e computadores teriam alíquotas elevadas de 16% para 20%. Embora o Ministério da Fazenda e a Abinee defendessem a medida como proteção à indústria nacional, o mercado reagiu ao repasse imediato de custos. Em vigor desde 6 de fevereiro, a regra estimava um acréscimo de ao menos R$ 160 em aparelhos básicos, gerando forte resistência no Congresso e críticas nas redes sociais.
Por que o governo mudou de ideia?
Diferente de outros impostos que passam despercebidos, o aumento sobre celulares e notebooks atinge diretamente o consumo da classe média e de jovens.
Viralização: o governo enfrentou uma “explosão de desaprovação”. Críticas virais e memes sobre o encarecimento de eletrônicos geraram um desgaste de imagem que o setor de comunicação do Planalto não conseguiu conter.
Narrativa de Inflação: o aumento de no mínimo R$ 160 em aparelhos de entrada alimentou a percepção de que o governo estava elevando o custo de vida em itens essenciais de trabalho e estudo.
O que mudou com o recuo
Com o recuo oficializado, a alíquota de importação para smartphones e computadores, que havia subido em 20%, retorna ao patamar original de 16%. A decisão da Camex também restabelece as taxas anteriores para outros 15 itens considerados sensíveis e estabelece tarifa zero para uma lista de 105 produtos pelo período de 120 dias.
Cronologia da medida
Final de janeiro: publicação da norma para elevar taxas de 1.200 produtos.
06 de fevereiro: regra entra em vigor e gera onda de críticas virais.
27 de fevereiro: camex aprova a revogação parcial após 30 dias de crise.
