Terça-feira, 28 de Julho de 2026

Governo Lula inicia reuniões com setor produtivo para discutir tarifa de 25% dos EUA

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia nesta terça-feira (21) uma rodada de reuniões com representantes do setor produtivo para discutir os impactos da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Os encontros têm como objetivo apresentar as primeiras medidas em estudo, ouvir as demandas das entidades empresariais e ajustar a estratégia de resposta do governo diante das restrições comerciais.

As tratativas serão conduzidas principalmente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sob coordenação do ministro Márcio Elias Rosa. As primeiras entidades convidadas para as reuniões são:

Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea);
Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças);
Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abmaq);
Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit);
Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados);
Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast);
Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee);
Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip).
A resposta do governo está estruturada em duas frentes principais: a abertura de novos mercados para os produtos afetados pelas tarifas norte-americanas e a elaboração de um pacote de apoio às empresas impactadas, por meio de uma nova edição do Plano Brasil Soberano. A avaliação do Palácio do Planalto é de que há poucas chances de avanço nas negociações com os Estados Unidos antes das eleições presidenciais brasileiras de 2026, já que auxiliares do governo acreditam que a Casa Branca só deverá retomar as tratativas após o pleito.

De acordo com estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a nova tarifa deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. A pasta calcula que 57% da pauta exportadora permanece isenta da sobretaxa, enquanto aproximadamente 24% dos produtos já estão submetidos a outro regime tarifário relacionado à investigação norte-americana sobre as exportações brasileiras de aço e alumínio.

Como parte da estratégia para reduzir os impactos da medida, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) reservou R$ 130 milhões para ações de diversificação dos mercados de exportação. Entre as iniciativas previstas está o financiamento de viagens de empresários estrangeiros ao Brasil para negociar contratos com empresas nacionais.

Segundo a ApexBrasil, o plano prioriza a ampliação das exportações para a União Europeia, aproveitando o acordo de livre comércio firmado entre Mercosul e União Europeia, além de mercados da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e de países da Ásia Central, como Uzbequistão e Cazaquistão.

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