Quinta-feira, 12 de Março de 2026

Governo espera arrecadar R$ 14 bilhões neste ano com alta na tarifa de importação de mais de mil produtos; celulares foram taxados

As recentes mudanças nas alíquotas do Imposto de Importação terão um impacto duplo e substancial na economia brasileira neste ano. Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, a decisão de elevar as tarifas de mais de mil itens fabricados no exterior deverá gerar uma arrecadação extra de R$ 14 bilhões para os cofres públicos ao longo de 2026.

A medida atende diretamente a dois interesses centrais do Palácio do Planalto: a necessidade urgente de aumentar receitas para tentar cumprir a meta de déficit zero prevista no arcabouço fiscal, e a forte pressão do setor produtivo local, que alegava concorrência desleal com produtos asiáticos. Entre os itens mais afetados pelo reajuste estão os smartphones e diversos produtos eletroeletrônicos.

O Impacto nos Celulares: Como já noticiado, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) alertava para o risco de “colapso” nas fábricas locais se a invasão de importados baratos não fosse contida. Com a nova taxação, os celulares importados perderão a vantagem competitiva de preço. Especialistas do varejo alertam que a conta recairá sobre o consumidor, encarecendo os aparelhos nas vitrines já no próximo mês.
A lista de mais de mil produtos também abrange itens do setor químico, peças automotivas, maquinário industrial e artigos têxteis. Enquanto a equipe econômica do ministro Fernando Haddad comemora a previsão de R$ 14 bilhões como um alívio fiscal, associações de importadores e varejistas criticam a medida, argumentando que a alta tributária pode gerar inflação em cadeia, uma vez que muitos dos itens taxados são insumos para outras indústrias no Brasil.

O governo sustenta que as alterações respeitam os acordos do Mercosul e as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), tratando-se de recomposições tarifárias estratégicas para proteger a geração de empregos formais no país.

 

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