Terça-feira, 3 de Março de 2026

Gebara diz que impacto das tarifas dos EUA sobre a Vivo será limitado, mas empresa monitora contratos

O CEO da Telefônica Vivo, Christian Gebara, afirmou em coletiva de imprensa nesta terça, 29, que o impacto das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deverá ser limitado para a companhia, embora o cenário ainda esteja sendo monitorado.

Gebara destacou que os principais equipamentos e serviços utilizados pela Vivo são adquiridos ou contratados de empresas com operações locais ou de origem fora dos EUA.

“A gente compra aparelhos e acessórios de algumas marcas americanas, como Apple ou Motorola, mas todos esses aparelhos são montados no Brasil. Então, a gente ainda não vê o impacto direto no preço, na precificação desses aparelhos”, disse o executivo.

Ele reconheceu, no entanto, que aumentos de custo em função das tarifas poderão ser repassados aos consumidores da Vivo. “Se tiver algum incremento que seja repassado, nós também teremos que repassar isso ao consumidor final.”

Vale lembrar que as tarifas serão impostas, ao menos por ora, unilateralmente pelos EUA, que vão cobrar 50% sobre a importação de produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, mas não para a exportação de lá para cá. A indústria, porém, teme reflexos indiretos de aumento de preços nas cadeias de valor e sobre o câmbio.

Equipamentos de rede vêm da Ásia e Europa
Questionado sobre os investimentos da operadora em expansão de redes, Gebara respondeu que a maior parte dos equipamentos de rede vem de outras regiões. “Vêm da Ásia ou da Europa, nossos principais fornecedores de rede são Huawei, Nokia e Ericsson”, resumiu.

Sobre soluções de software e nuvem, o executivo explicou que os contratos da Vivo são realizados com representantes locais de grandes empresas de tecnologia. “A gente não tem contrato de importação com empresas americanas, mas sim com suas filiais locais, que são responsáveis, elas sim, por essas importações ou por essa intermediação.”

Por isso, a Vivo ainda não tem visibilidade clara sobre a eventual aplicação das tarifas, segundo Gebara. “A gente está esperando a data para saber como isso vai impactar e se é que impacta o nosso relacionamento, os contratos que nós já temos assinados com essas empresas e o futuro”, disse.

Gebara afirmou ainda que a Vivo está protegida contra oscilações abruptas de câmbio motivadas pelas tarifas no orçamento de investimentos. “No CAPEX, a gente tem uma ligeira exposição ao câmbio, que é menos de 25% dos nossos investimentos totais, e nós temos aí contratos com bandas cambiais, não tem um impacto gerado à tarifa, mas pode ter um impacto, se tem algum impacto em câmbio, nós temos aí bandas cambiais que podem minimizar o eventual impacto de alta do dólar.”

Serviços digitais são comercializados com parceiros locais
A Vivo também comercializa conteúdos de terceiros, como streaming e serviços de nuvem. Segundo Gebara, esses contratos não sofreram alterações até o momento. “Muitos desses serviços têm origem em empresas americanas, como Netflix, HBO. Mas têm conteúdos até nacionais, tem Globoplay, ou tem Spotify, que também não é uma empresa americana”, observou.

Se por algum motivo essas empresas elevarem preços a empresas brasileiras, a Vivo diz que terá de repassar ao consumidor.

O mesmo vale para soluções de cloud: “nossa relação é diretamente com empresas locais, essas empresas, todas elas pelo tamanho do Brasil, têm representantes legais, locais, com quem a gente faz a nossa negociação em real”.

Receita e custos são majoritariamente domésticos
Gebara também ressaltou o perfil doméstico das operações da Vivo. “Vale lembrar que quase 100% da nossa receita é gerada domesticamente, por meio de serviços essenciais que são prestados à população brasileira, que não exporta serviço. Nos nossos custos, grande parte deles, quase a totalidade, também são despesas operacionais que também ocorrem localmente.”

Em resumo, ele avaliou que, “dependendo da magnitude ou abrangência dessas possíveis retaliações, aparentemente parece ser limitado, mas a gente vai ter que acompanhar, avaliar os eventuais desdobramentos para ter uma visão mais conclusiva”.

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