Segunda-feira, 13 de Abril de 2026

Francesa EDF compra usina hidrelétrica da Neoenergia por R$ 1,43 bilhão

 A estatal francesa EDF comprou participação de 70% da hidrelétrica Baixo Iguaçu, da Neoenergia, no Paraná. A transação tem um “enterprise value” (valor da empresa, incluindo patrimônio e dívida líquida) de R$ 1,43 bilhão, sujeito a ajustes, incluindo a correção pela variação do CDI. 

A negociação, antecipada com exclusividade pelo Valor, indicava que, além da EDF, outros potenciais compradores estavam no páreo, incluindo Casa dos Ventos, Spic e EnergoPro. A Copel detém os 30% restantes da usina e não planeja deixar a empresa. 

 O novo controlador assume um empreendimento com capacidade para abastecer uma cidade com cerca de um milhão de pessoas. A usina entrou em operação em 2019, após investimento de R$ 2,3 bilhões, e a concessão do ativo vence em 2049. Está situada no trecho final do Rio Iguaçu, entre os municípios de Capanema e Capitão Leônidas Marques, no sudoeste do Paraná. 

 A EDF vem expandindo sua presença no Brasil, onde já atua nos segmentos de transmissão e degeração eólica, solar, hídrica e térmica.Em abril de 2024, a empresa participou da disputa pelo controle da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), mas foi superada pelo Fundo Phoenix, do investidor Nelson Tanure,que venceu o certame com uma oferta de R$ 1,04 bilhão. 

 No caso da Neoenergia, a venda do ativo, segundo fontes, foi uma questão oportunística para a empresa, já que a transação permite a otimização de seu portfólio e a realocação de capital. Outro motivo é que a empresa, controlada pelo grupo espanhol Iberdrola, está também tentando reduzir sua alavancagem — a relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) está em 3,43 vezes, segundo dados do terceiro trimestre de 2024. 

 No mesmo período do ano anterior, a relação era de 3,11 vezes, segundo o Valor Data. Já a dívida líquida atual é de R$ 42,2 bilhões. 

 A usina foi arrematada em leilão pela Neoenergia, que iniciou negociações com a Copel em 2011. O empreendimento opera no modelo “fio d’água”, que aproveita o fluxo natural do rio para geração de energia, sem a necessidade de grandes reservatórios. 

 Essa tecnologia reduz impactos ambientais ao preservar a dinâmica natural do rio e minimizar alagamentos. No entanto, também torna a usina mais vulnerável a oscilações no nível da água, o que pode afetar sua geração em períodos de seca. 

A conclusão da operação, anunciada nesta quarta-feira (5), está condicionada à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), de autoridades de defesa concorrencial com jurisdição sobre as partes, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e de agentes financiadores. A operação também está sujeita ao eventual exercício do direito de preferência por parte da Copel Geração e Transmissão, que detém a participação remanescente no empreendimento. 

 

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