Terça-feira, 7 de Abril de 2026

França sedia cúpula para discutir uso da energia nuclear

O presidente francês, Emmanuel Macron, discursa nesta terça-feira, 10, na 2ª Cúpula da Energia Nuclear, este ano em Paris, para estimular o interesse mundial no uso da energia nuclear para a geração de eletricidade. A reunião acontece em um momento em que a guerra no Oriente Médio expõe a fragilidade das economias dependentes do petróleo importado.

O encontro, organizado pela França, reunirá cerca de 40 países e organizações internacionais, incluindo representantes dos Estados Unidos e da China, historicamente atores importantes no setor. O Brasil será representado pelo presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Francisco Rondinelli.

Países europeus e membros do G7 também estarão presentes, embora a Rússia, outro gigante do setor, não participe da assembleia como sanção devido à guerra na Ucrânia.

A cúpula é organizada em conjunto com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em um ano marcado pelo 15º aniversário do desastre nuclear de Fukushima, no Japão, e pelo 40º aniversário da catástrofe de Chernobyl, na Ucrânia.

Após o acidente de 2011 na usina nuclear japonesa, que deixou de ser um setor em ascensão, a energia nuclear experimenta uma renovação do interesse global, impulsionado pelos desafios da soberania energética, pela necessidade de descarbonizar a energia para combater as mudanças climáticas e pela ascensão da inteligência artificial, que demanda enormes quantidades de eletricidade.

A energia nuclear corresponde atualmente a 10% da produção mundial de eletricidade, com 450 reatores espalhados em cerca de 30 países.

Mas outros 40 países “manifestaram forte interesse” nessa fonte de energia, afirmou o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da AIEA, na segunda, 9, citando a própria Argentina e também a África do Sul.

Assim como em 2022, após a invasão russa da Ucrânia, a crise no Oriente Médio expôs a vulnerabilidade dos países dependentes da importação de petróleo, com riscos de abastecimento e volatilidade de mercado.

“É do interesse dos países europeus, para sua segurança e soberania energética, desenvolver mais energias renováveis, como a solar e a eólica, e retomar fortemente a energia nuclear”, enfatizou Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE). Mas para a organização ambientalista Greenpeace, essa fonte não é a solução “para abandonar os combustíveis fósseis o mais rápido possível, ao contrário das energias renováveis ​​e da conservação de energia”. /AFP

 

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