Fabricantes expandem produção para atender demanda criada pelo 5G
A produção local de fornecedores de tecnologia foi uma das primeiras beneficiadas pelo avanço do 5G. Segundo a Conexis, representante das operadoras de telecomunicações, a instalação de 10 mil novas antenas entre o primeiro trimestre de 2023 e o mesmo período de 2024 consumiu a maior parte do R$ 7,6 bilhões investidos pelas companhias no intervalo.
Entre as globais, Huawei, Ericsson e Samsung expandiram linhas de produção e áreas locais de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). As duas primeiras concentram 98,5% das vendas de infraestrutura 5G no Brasil, segundo a Agência Nacional de Telecomuicações (Anatel). A Samsung tem perto de 55% dos 182 dispositivos (smartphones, tabletc etc.) certificados até maio (hoje são 212).
A Ericsson inaugurou linha exclusiva para produção de tecnologia 5G em 2021, na sua fábrica de São José dos Campos (SP), com investimento em torno de R$ 1 bilhão de 2020 a 2025, e deve inaugurar segunda linha até o final do ano. A operação brasileira inclui soluções digitais, fabricação e instalação de infraestrutura e PD&I. “Todos os equipamentos produzidos aqui suportam 5G e 40% são exportados para a América Latina”, diz Marcos Scheffer, vice-presidente de redes e serviços da Ericsson para o Cone Sul da América Latina.
Ele destaca oportunidades com a tecnologia de acesso fixo sem fio 5G (FWA), quando o sinal móvel chega ao endereço do usuário para sustentar redes como a de Wi-Fi. A Ericsson solicitou esse ano licenças de uso privado em 3,7 GHz (a frequência do 5G) na fábrica, na sede em São Paulo e no centro de P&D em Indaiatuba (SP). Por enquanto, implementou projeto com veículos autoguiados na produção e analisa drones para inventário, coleta de dados em tempo real e controles, como de temperatura em operações críticas.
A Huawei tem centro logístico em Sorocaba (SP) conectado com 5G e fábricas em Jundiaí (SP) e Manaus. Em breve lança antenas de alta capacidade, para melhoria do 5G, preparação para o 5.5G e para atender áreas descobertas e remotas com soluções mais eficientes em cobertura e energia solar, afirma Carlos Roseiro, diretor de ICT marketing da Huawei Brasil.
A Samsung, por sua vez, tem duas fábricas no Brasil, em Campinas (SP) e outra em Manaus, e centros de P&D em ambas as cidades. “Todo nosso portfólio de smartphones 5G é produzido localmente”, afirma Rafael Aquino, gerente sênior de produtos de mobile experience da Samsung Brasil.
Entre as companhias nacionais, Positivo Tecnologia e Clemar Engenhari a receberam apoio do BNDES para o desenvolvimento de produtos com a tecnologia 5G. A primeira fechou R$ 330 milhões, com R$ 258 milhões do Mais Inovação (braço operacional do programa Nova Indústria Brasil) para inovação e R$ 72 milhões do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel) em preparação das unidades fabris de Manaus, Ilhéus (BA) e Curitiba para anteder a demanda por 5G.
O segmento compõe 10% do total da marca e a expectativa é alcançar 25% ano que vem, com capacidade instalada de 2,6 milhões de unidades – 715 mil smartphones, 370 mil tablets, 740 mil maquininhas de pagamento e 820 mil computadores, detalha Norberto Maraschin Filho, vice-presidente de negócios de consumo e mobilidade da Positivo Tecnologia. No ano passado foram investidos R$ 30 milhões nas fábricas para dispositivos 5G, em processos como testes de hardware e software, que saltaram de 1 milhão para 5 milhões para cada produto.
Já a Clemar fechou com o BNDES R$ 15,6 milhões do Funttel para desenvolvimento de produtos como postes, totens e caixas subterrâneas com redução de impacto visual e espaço ocupado por antenas 5G – a tecnologia exige mais pontos de distribuição do que o 4G. Segundo o diretor industrial Marcelo Bruch, o portfólio 5G responde por cerca de 15% das vendas da empresa e o próximo lançamento é um totem para abrigar internamente equipamentos e antenas 5G de forma camuflada e segura.
