Sexta-feira, 3 de Abril de 2026

Expansão do 5G impulsiona receita da Brisanet em 2025, mas acordo tributário pesa

A Brisanet encerrou 2025 com crescimento de receita, avanço da operação móvel e expansão da cobertura 5G, mas teve o resultado do quarto trimestre pressionado por uma despesa tributária não recorrente ligada a acordo para pagamento de ICMS no Rio Grande do Norte. 3

A companhia registrou receita líquida de R$ 441,9 milhões no quarto trimestre, alta de 16% sobre o mesmo período de 2024, e fechou o ano com R$ 1,677 bilhão, avanço de 17,5% na comparação anual. No trimestre, porém, reportou prejuízo líquido de R$ 24,2 milhões devido ao acordo com o fisco estadual. No acumulado do ano, o lucro líquido foi de R$ 40,9 milhões.

O crescimento veio acompanhado da expansão do móvel. A operadora terminou 2025 com 852,3 mil acessos móveis, ante 337,9 mil um ano antes, e ampliou sua cobertura para 303 cidades, com população coberta estimada em 14,7 milhões de habitantes. Só no quarto trimestre, foram adicionados mais de 151 mil clientes móveis. A companhia informou ainda que, em janeiro e fevereiro de 2026, somou mais de 61 mil acessos e chegou a quase 914 mil clientes no serviço móvel.

Móvel ganha peso na receita
A Brisanet atribui o desempenho ao avanço comercial do 5G e à conversão de parte da base de banda larga fixa para o serviço móvel. Também diz que a estratégia foi decisiva para converter parte da base fixa para o móvel e que a aceleração comercial ocorreu com reforço das equipes de vendas e ativação do 5G em centros como João Pessoa, Teresina e Petrolina.

No ano, a receita bruta do segmento móvel somou R$ 157,4 milhões. Já a banda larga seguiu como principal fonte de faturamento, com R$ 1,524 bilhão de receita bruta em 2025. No quarto trimestre, a receita bruta total foi de R$ 491,1 milhões, sendo R$ 392,6 milhões em banda larga e R$ 53 milhões no móvel. A vertical B2B também avançou 15,1% na comparação anual do trimestre, para R$ 38,6 milhões.

Ebitda cresce, mas acordo com Sefaz-RN pesa
O EBITDA ajustado ficou em R$ 198,9 milhões no quarto trimestre, com margem de 45%, alta de 2,3 pontos percentuais em relação ao mesmo intervalo de 2024. No acumulado de 2025, o indicador alcançou R$ 743,7 milhões, com margem de 44,3%. Segundo a companhia, a melhora reflete a ampliação da base móvel, maior diluição de custos fixos e iniciativas de eficiência operacional.

Apesar disso, as despesas operacionais cresceram 40,1% na comparação anual do trimestre e 76,9% frente ao terceiro trimestre. A rubrica de outras despesas somou R$ 49,8 milhões entre outubro e dezembro, dos quais R$ 39,8 milhões se referem ao acordo firmado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Norte. Além disso, o resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 64,9 milhões no trimestre, com impacto adicional de R$ 21 milhões ligado à multa e correção do mesmo acordo.

Capex e dívida seguem elevados
A Brisanet investiu R$ 751,5 milhões em 2025, com concentração maior no primeiro semestre e foco sobretudo na operação móvel. O fluxo de caixa livre do ano ficou praticamente zerado, em R$ 4 milhões. A dívida bruta fechou dezembro em R$ 2,528 bilhões, enquanto a dívida líquida chegou a R$ 1,655 bilhão, alta de 21,7% sobre 2024. Ainda assim, a alavancagem medida por dívida líquida sobre EBITDA caiu para 2,21 vezes, ante 2,25 vezes no ano anterior.

Em mensagem aos investidores no balanço de 2025, o CEO da Brisanet, José Roberto Nogueira afirmou que a companhia pretende intensificar a atuação no mercado móvel e levar a experiência acumulada no Nordeste para a região Centro-Oeste em 2026.

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