Expansão das regionais tem impacto baixo na concentração do mercado móvel
A Superintendência de Competição (SCP) da Anatel produziu um relatório sobre o atual cenário de competição dos serviços de telecomunicações do Brasil, e chegou a várias conclusões sobre os impactos de políticas públicas recentes. Uma das constatações é que o mercado de telecomunicações móveis, concentrado em Claro, TIM e Vivo, segue ainda dominado pelas operadoras nacionais. O índice de concentração está se movendo, mas lentamente.
À medida que operadoras regionais como Brisanet e Unifique ganham clientes, o Índice Herfindahl-Hirschman (HHI) para o setor móvel sofre ligeira queda. Assim, o HHI que era de 0,3205 um ano atrás, passou para 0,3140 agora.
“Apesar do HHI elevado deste mercado quando comparado aos demais regulados pela Anatel, este se manteve dentro da Meta Estratégica proposta pela Agência, ou seja, em patamar inferior a 0,3594 previsto até 2027”, observa o relatório. O HHI é o termómetro de concentração mercadológica adotado como referência pela Anatel.
No segundo trimestre deste ano, as operadoras móveis adicionaram 4,9 milhões de clientes – recorde dos últimos cinco anos. Com isso, o segmento encerrou junho com base total de 266,1 milhões de acessos.
Desse total, 95,2% dos contratos estão na base das três operadoras nacionais. A liderança permanece detida pela Vivo/Telefônica (38,5%), Claro (33,3%) e TIM (23,4%), enquanto MVNOS e regionais detêm 4,8% deste mercado.
Para a SCP, apesar de as entrantes começarem a influenciar o HHI, o movimento ainda é tímido. “No atual cenário, prestadoras regionais e MVNOs vêm enfrentado desafios na contestação das três grandes prestadoras nacionais”, conclui o documento.
Espectro
O documento aborda ainda a distribuição de espectro, insumo essencial das redes móveis, entre os concorrentes do segmento. A fotografia atual mostra a Vivo como empresa com mais licenças de uso de radiofrequências, seguida por TIM e Claro. A superintendência aguarda a definição do novo PGMC, que vai ter como novo mercado relevante a exploração industrial de radiofrequências -, para começar a acompanhar as flutuações no compartilhamento desse ativo. No momento, as licenças em uso seguem a divisão do gráfico abaixo:

MVNOs
A evolução do mercado móvel mostra crescimento contínuo das operadoras virtuais. Ao final de junho, havia no país 14 dessas empresas, responsáveis por 7,89 milhões de acessos, ou 3% da base total celular. Um ano atrás, eram 7 milhões. E cinco anos atrás, eram 615 mil.
Considerando apenas os acessos das MVNOs, Datora e Surf lideram, embora tenham observado movimentos distintos no segundo trimestre deste ano. Enquanto a Datora perdeu participação entre os acessos das MVNOs (46,7% para 38%), a Surf observou crescimento de sua participação (19,3% para 31,4%).
O Relatório de Monitoramento da Competição da Anatel pode ser lido na íntegra aqui.
