Estudantes transformam restos da merenda escolar em adubo e promovem sustentabilidade em Cláudio
Alunos de uma escola pública de Cláudio, no Centro-Oeste de Minas, estão se destacando em sustentabilidade ao transformar os restos da merenda escolar em adubo através da compostagem.
O projeto, desenvolvido na Escola Estadual Quinto Alves Tolentino e coordenado pela professora Sara da Silva Anacleto, não só beneficia a escola, mas também incentiva a iniciação científica, mostrando aos estudantes a importância da ciência e aumentando o interesse pelo ensino superior.
Alunos do 3º ano do ensino médio estão envolvidos na iniciativa há um ano e meio. Segundo eles, o processo de compostagem utiliza restos de alimentos, como cascas de cenoura e banana.
Para otimizar o processo, são usadas duas espécies de minhocas: as africanas e as californianas.
Segundo a professora, as minhocas californianas são as mais eficientes para a compostagem. A primeira remessa dessas minhocas foi comprada pela internet, já com húmus, um tipo de matéria orgânica essencial para o sistema.
“Apesar das minhocas californianas serem as melhores, utilizamos dois tipos que apresentaram um bom desenvolvimento. Fomos ampliando o sistema e hoje contamos com quatro composteiras. Estamos usando essa compostagem no plantio de alimentos orgânicos”, explicou Sara.
Ana Cecília Pessim Silva, uma das alunas envolvidas no projeto, explicou que a função das minhocas é acelerar a compostagem.
“Optamos por usá-las porque elas aceleram o processo e facilitam a geração da terra flocada. Quando reorganizamos uma composteira, adicionamos um pouco de terra já habitada pelas minhocas para evitar que elas morram, o que comprometeria o processo”, contou.
O sistema de compostagem montado pelos alunos utiliza três baldes de 15 litros, reciclados de embalagens de manteiga.
No balde mais baixo, fica o chorume; o segundo, perfurado nas laterais, permite o trânsito das minhocas e a oxigenação; o terceiro é vedado para evitar o surgimento de larvas. A composteira é organizada em camadas de matéria seca, húmus e material orgânico.
O processo dura três meses e gera dois produtos: o húmus, com as minhocas, e o chorume, que é diluído e usado como adubo líquido na horta da escola.
O adubo líquido resultante da compostagem é aplicado nas plantações, fechando o ciclo sustentável. As verduras cultivadas retornam à merenda escolar, criando um sistema autossustentável.
“O projeto inverte os papéis. Na sala de aula, os alunos são consumidores de conhecimento, mas aqui eles são produtores. Eles estão fazendo ciência, experimentando, controlando variáveis, o que mostra um caminho para o ensino superior e a continuidade acadêmica”, reforçou o diretor da escola, André Augusto da Silva.
