EPE diz que conclusão de Angra 3 evitaria custos elevados de abandono do projeto e dá sinal verde
Relatório da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apresentado em grupo de trabalho sobre Angra 3 concluiu que a construção da usina evita custos elevados do abandono do projeto, ajuda a moderar custos sistêmicos e provê segurança energética e confiabilidade ao sistema. O parecer dá sinal favorável à construção, decisão que está nas mãos do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Afirma também que o empreendimento contribui para aumentar a descarbonização e a resiliência climática da matriz energética nacional.“Ademais, a construção de Angra 3 evita arrependimentos futuros associados à perda do domínio tecnológico e à desmobilização da cadeia de fornecedores de bens e serviços no Brasil”, salientou a EPE.
A EPE aponta para o fato de que, “por visão de mundo, muitos especialistas e partes interessadas estão ignorando aspectos fundamentais” para a tomada de decisão sobre a usina. “Decisões baseadas nessas visões estão gerando arrependimentos custosos em outros países”, destacou.
A nota da EPE foi uma resposta à reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo”, segundo a qual a construção da usina nuclear poderia fazer com que os consumidores paguem até R$ 61,5 bilhões a mais nas contas de luz nos próximos 40 anos. A publicação diz ter tido acesso ao estudo.
Nele, segundo a reportagem, a EPE fez várias simulações de impacto entre 2031, quando a usina entraria em operação, e 2071, ao término do contrato de concessão, considerando a tarifa de R$ 653,31 por megawatt-hora.
O tema deve ser analisado pelo CNPE neste mês. No comunicado, a EPE afirmou que o estudo é um documento preparatório, restrito para fundamentar tomadas de decisões.
Disse também que a abordagem do relatório final do grupo de trabalho que debate o tema é “abrangente e estratégica”, não tratando apenas dos custos da eletricidade a ser gerada pela usina, em comparação com outras fontes.
Parecer do BNDES
Com 1.405 megawatts de potência, Angra 3 começou a ser construída em 1981, mas as obras foram paralisadas em 1984 e retomadas em 2010. Em 2015, o projeto foi novamente paralisado devido às investigações da Lava-Jato.
Em 2019, o BNDES foi contratado para fazer estudos sobre a viabilidade da usina, concluídos e apresentados em setembro de 2024 ao governo. O banco indicou que o custo para abandonar o projeto de Angra 3 alcançaria R$ 21 bilhões. O valor considera a despesa para desmobilizar instalações, reparação de danos ambientais, quitação de empréstimos e penalidades diversas.
Retomar as obras, que já totalizam 67% do cronograma executado, demandaria R$ 23 bilhões. O Ministério de Minas e Energia tem defendido que seria melhor empregar recursos na conclusão da usina.
