Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Eólicas esperam nova onda em 2027, após freio na expansão

 A energia eólica convive com freios na atividade ao mesmo tempo em que dá sinais, graduais, de superação. “O setor viveu momentos de euforia de 2012 a 2023, com investimentos atingindo um total de U$ 48,6 bilhões, mas a partir daí, em função de uma conjuntura econômica desfavorável, a demanda por novos projetos de parques eólicos caiu violentamente”, afirma Elbia Gannoum, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica). 

 O ritmo de instalação de novas usinas eólicas no país caiu 31,25% no ano passado. Foram 3,3 GW de potência, com 76 novos parques, contra 123 projetos implantados em 2023, com recorde 4,8 GW de potência. “Trata-se de uma crise diagnosticada, entendida, e estamos convivendo com ela porque temos boas perspectivas em um futuro muito próximo, a partir de 2027”, afirma Gannoum. 

 Há novos “drives” de demanda, como data centers e a produção de hidrogênio verde. “Novos contratos estão sendo assinados agora, mas demoram pelo menos dois anos para que os parques eólicos realmente se concretizem”, afirma. É o caso, cita, dos investimentos realizados pela Auren Energia, que em 2024 adquiriu negócios da AES no Brasil e pretende expandir seu complexo eólico Cajuína (RN). E o exemplo da dinamarquesa Vestas, que anunciou investimento de R$ 130 milhões em sua fábrica de turbinas eólicas no Ceará. 

 Mesmo empresas como a Siemens Gamesa, controlada pela alemã Siemens Energy, que há dois anos suspendeu sua produção de turbinas em Camaçari (BA), acompanham os novos rumos do mercado. A empresa diz confiar no papel que empresas renováveis e a indústria eólica desempenham, mas por enquanto não tem previsão de retomada da fábrica. “Nossa localidade continua operacional, com foco na manutenção de ativos e prestação de serviços aos projetos existentes”, informa, em nota. 

 Temos boas perspectivas em um futuro muito próximo”  — Elbia Gannoum 

 Para Eduardo Sattamini, diretor-presidente da Engie, um dos maiores conglomerados do setor de energia do país, em um cenário de complexidade como o que o país atravessa, especialmente no campo energético, com excessos de subsídios, é natural que as empresas repensem seus planos de investimentos. Apesar disso, ele avalia que há espaço para a expansão da geração eólica no Brasil. “Basta que o mercado se equilibre e a demanda seja estimulada, especialmente na região Nordeste, com a atração de novas indústrias e setores, como os de data centers, que prezam por crescimento sustentável e uso de energia renovável”, ressalta. 

 Segundo Sattamini, a Engie encerrou 2024 com o maior volume de investimento de sua história. Foram R$ 9,7 bilhões, sendo a maior parte destinada às usinas eólicas e solares. A empresa consolidou a operação integral do Conjunto Eólico Santo Agostinho, em Santa Catarina, e iniciou as operações comerciais do Conjunto Eólico Serra do Assuruá, na Bahia. No total, foram adicionados 1,2 GW de capacidade instalada própria, somando 9,6 GW de energia renovável. Para o ciclo de 2025 a 2027, estão previstos investimentos de mais R$ 8,5 bilhões. “Adotamos um planejamento estratégico de longo prazo que prioriza a gestão eficiente de um portfólio diversificado com precificação adequada dos riscos”, afirma. 

 A motivação para a retomada dos investimentos em novos parques eólicos parte também dos próprios consumidores. A Dow, corporação americana de produtos químicos, assinou contratos de longo prazo para abastecer suas nove unidades instaladas no país, entre operações e centro de inovação, com 100% de energia elétrica renovável gerada em usinas eólicas e solares e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). “Para alcançar nossas metas [de descarbonização], a companhia focou na diversificação de suas matrizes energéticas, realizando investimentos em diversas frentes para garantir a transição energética necessária”, afirma Claudia Schaeffer, diretora global de negócios para energia e mudanças climáticas da Dow. 

 

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