Terça-feira, 10 de Março de 2026

Eólica e solar serão mais importantes para Petrobras a partir de 2035, diz Magda Chambriard

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta terça-feira (2) que a companhia manterá o foco na produção de petróleo e derivados ao longo das próximas duas a três décadas, mas tem direcionado esforços para ampliar a participação de combustíveis renováveis em seu portfólio. Segundo ela, até 2035, a prioridade da estatal será a produção de “moléculas”, numa alusão aos biocombustíveis, enquanto os investimentos mais robustos em energia eólicae solar devem ganhar força apenas depois desse período.]]

“Para os próximos dez anos, vamos fazer mais moléculas do que elétrons. Isso significa retomar projetos de etanol, diesel processado no mercado, biogás. Queremos entregar produtos cada vez mais renováveis”, disse a executiva em evento promovido pela Bloomberg.

A executiva conta que o plano da Petrobras prevê US$ 16 bilhões em investimentos em projetos de energias renováveis, com destaque para biogás, etanol e refino. Entre as iniciativas está a construção de uma refinaria no Rio Grande do Sul, com capacidade para cerca de 15 mil barris por dia, voltada à produção 100% renovável.

Além disso, a empresa aposta no biodiesel como forma de reduzir a dependência externa. “Vamos reduzir a importação de diesel”, afirmou Chambriard, ressaltando que o Brasil já conta com 15% de biodiesel misturado ao diesel comercializado no país. O biogás, acrescentou, também deve ganhar espaço, sendo incorporado à matriz de gás natural.

Chambriard destacou que a Petrobras pretende repetir, na transição energética, o protagonismo que alcançou no desenvolvimento do pré-sal. Hoje, segundo a executiva, a matriz energética brasileira já é 52% limpa e a expectativa é que atinja 62% até 2050.

Apesar do foco imediato nos biocombustíveis, a Petrobras mantém investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em energia eólica e solar, tecnologias que, segundo Chambriard, deverão ganhar maior relevância na estratégia da companhia apenas a partir de 2035.

Gases do efeito estufa

Em um contexto que o Brasil se prepara para sediar a COP30, em 2025, a presidente da Petrobras também defendeu a exploração de petróleo, alegando que o país tem emissões abaixo da média mundial. “Se parássemos de produzir, hoje, e importássemos todo o óleo, certamente estaríamos emitindo muito mais”, disse.

Ela ressaltou ainda que o petróleo extraído pela Petrobras emite menos gases do efeito estufa do que a média global, reforçando a posição da estatal de que a produção local é parte da solução, e não apenas do problema, na agenda climática.

 

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