Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2026

Entidades empresariais brasileiras festejam aval da União Europeia ao acordo com o Mercosul

Associações industriais e agrícolas do país receberam com entusiasmo a aprovação, nesta sexta-feira (9), do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, resultado de 25 anos de negociações. Para que o texto avançasse, eram necessários votos favoráveis de pelo menos 15 dos 27 Estados-membros do bloco europeu, representando 65% da população total.

Indústria enxerga salto na inserção internacional
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou o desfecho como “passo significativo” para ampliar a presença do Brasil no mercado global e fortalecer a produção nacional. Em 2024, a UE respondeu por 14,3% das exportações brasileiras; segundo a entidade, cada R$ 1 bilhão vendido ao bloco gerou 21,8 mil empregos, R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

“A aprovação cria as condições políticas para avançarmos rumo à assinatura. Queremos transformar esse avanço em oportunidades concretas de comércio, investimentos e competitividade”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban. A confederação também prevê maior aproximação com países do Leste Europeu, como República Tcheca, Polônia e Romênia, em setores de indústria, tecnologia e consumo.

Química, eletroeletrônica e outros setores
Para a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o acordo abre portas em “um dos maiores mercados consumidores do mundo”, estimula investimentos e reforça práticas sustentáveis alinhadas a princípios ESG. O presidente-executivo André Passos Cordeiro destacou a criação de um ambiente “mais previsível e moderno” para áreas como bioeconomia, química renovável e energia limpa.

Já a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) considera o tratado essencial em um cenário de turbulência geopolítica. A entidade projeta elevação de 25% a 30% nas exportações do setor para a Europa no médio prazo, além da diversificação de fornecedores de insumos.

Federações estaduais destacam desafios
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) elogiou o entendimento, ainda que reconheça imperfeições. “Foi o acordo possível para conciliar interesses de 31 países”, avaliou a entidade, cujo presidente, Paulo Skaf, afirmou que o “verdadeiro trabalho começa agora” com foco em inovação e produtividade para garantir isonomia competitiva.

No Rio de Janeiro, a Firjan previu aumento da corrente de comércio, novos investimentos e crescimento do PIB industrial brasileiro. A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) adotou tom cauteloso: embora veja ganhos para café, mineração, siderurgia, celulose, automotivo e autopeças, alertou para segmentos mais sensíveis à concorrência externa e às exigências sanitárias e regulatórias.

Agropecuária também comemora, mas pede proteção
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, classificou o acordo como “avanço importante” após duas décadas de discussões. Meirelles ressaltou que as tarifas impostas recentemente pelos Estados Unidos reforçam a necessidade de pactos bilaterais e defendeu que o Brasil também proteja seus produtores, citando a importação de leite em pó como exemplo de preocupação.

A aprovação europeia encerra uma etapa decisiva; agora, Mercosul e União Europeia precisam concluir os trâmites internos para que o tratado entre em vigor.

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