Sexta-feira, 10 de Abril de 2026

Enel vê normalidade com 36 mil imóveis sem luz

 O presidente da Enel São Paulo, Guilherme Lencastre, disse em entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira, 17, que a operação na capital paulista já está dentro da normalidade. Apesar da declaração, ainda restavam na cidade de São Paulo, na manhã de quinta, 36 mil imóveis sem energia desde sexta-feira. 

 “O que foi solicitado entre os dias 11 e 12 [sexta e sábado] foi zerado”, disse, em relação aos pedidos de restabelecimento de energia em unidades consumidoras afetadas pelo forte temporal de sexta-feira, 11. 

 A chuva que atingiu a região metropolitana teve ventos de até 107 quilômetros por hora e deixou mais de 3 milhões de consumidores sem energia elétrica. O fornecimento vem sendo restabelecido gradualmente. A Enel enfrenta pressões e críticas – da população, de especialistas e do poder público – pela lentidão em restabelecer a energia. 

 “Com relação ao aos clientes, nós estamos com 36 mil clientes sem luz, o que é considerado uma operação dentro da normalidade da companhia”, afirmou. 

 De acordo com Lencastre, esses 36 mil são pedidos de religação que ocorreram do dia 13 (domingo) para cá. 

 A Enel São Paulo elevou para 3,1 milhões o número de clientes afetados pelo apagão da sexta-feira. “Foi o maior evento de rajadas de ventos já registrado na história de São Paulo. Não tínhamos previsões de ventos na intensidade que aconteceu na sexta-feira”, disse o executivo. 

 A companhia se prepara para as fortes chuvas previstas para esta sexta e o fim de semana. O executivo disse que 2.500 eletricistas da companhia estarão de prontidão para eventuais emergências, além de cerca de 300 profissionais de companhias de outros Estados que estão a caminho. 

Caducidade

 Lencastre negou que haja risco de caducidade do contrato de concessão de distribuição de energia elétrica da Enel na Grande São Paulo. Em paralelo, a companhia prevê R$ 6,2 bilhões de investimentos para os próximos três anos. O contrato da companhia termina em 2028. 

 “A companhia entrega os indicadores fixados pelo contrato de concessão. Vamos ter que avaliar o contrato e uma série de diretrizes, para a partir daí firmar um compromisso de longo prazo”, disse Lencastre. 

 Os indicadores são referentes ao tempo que os clientes ficam sem luz e à frequência da falta de energia. Os indicadores são Duração Equivalente de Interrupção (DEC), e a Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC). 

 O presidente da Enel São Paulo disse ser necessária a modernização dos contratos de concessão para incluir os investimentos preventivos aos eventos climáticos. Lencastre também destacou que parte dos incentivos fiscais presentes na conta de luz deve ser alocada para investimentos na rede de distribuição das empresas. 

 “Os contratos de concessão foram pensados e viabilizados há décadas atrás em uma circunstância em que o cenário era totalmente diferente, principalmente com relação aos eventos climáticos”, afirmou. “A distribuidora fica com 25% do valor da conta. Os incentivos fiscais devem ir para o lugar certo. Há incentivos que não precisam, como início de geração, com geração distribuída, por exemplo. Esses incentivos estão pesando muito na conta.” 

 

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