Terça-feira, 17 de Março de 2026

Empresas conectam negócios à reciclagem e fortalecem economia circular

O Brasil ainda recicla pouco dos resíduos que produz. Segundo os dados mais recentes divulgados pela Abrema (Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente), em 2023, 6,7 milhões de toneladas de materiais secos foram reciclados no país, o equivalente a 8,3% dos resíduos sólidos urbanos gerados.

Mesmo baixo, o número ainda é otimista: não há um consenso sobre o total de lixo reciclado no país e algumas entidades falam em apenas 2%.

Algumas iniciativas, porém, têm buscado mudar esse cenário. Cada vez mais as organizações têm compreendido que o lixo também é uma oportunidade de negócio, inclusão social e transformação urbana. Esse movimento vem estimulando e fortalecendo soluções voltadas à logística reversa e à economia circular.

Resíduos valorizados
Pioneira em logística reversa, a Green Mining, inaugurou, em 2021, o projeto Estação Preço de Fábrica, em que qualquer pessoa pode levar resíduos recicláveis limpos até os pontos de entrega e, em troca, receber o pagamento diretamente da recicladora.

No mercado comum, os catadores costumam vender os recicláveis para sucateiros ou atravessadores, que compram por um valor baixo e, depois, revendem o material várias vezes até chegar à recicladora.

Nesse processo, os catadores ficam com apenas cerca de 20% do valor real do material. Para se ter uma ideia de números, os catadores recebem em torno de R$ 0,06 por kg de vidro — na Estação Preço de Fábrica o valor pago chega a R$ 0,65 por kg de vidro transparente e âmbar.

“Itens de baixo valor de mercado, como vidro e caixas longa vida, passam a ser economicamente viáveis, aumentando o volume coletado. Materiais como papel e PET são melhor remunerados, gerando uma renda até cinco vezes maior para os catadores”, afirma Rodrigo Oliveira, CEO da Green Mining e vice-presidente da Abelore (Associação Brasileira de Logística Reversa e Resíduos).

Até julho de 2025 mais de R$ 5,4 milhões já foram repassados diretamente à população, sendo 80% destinados a catadores informais, responsáveis pela recuperação de mais de 5,6 mil toneladas de recicláveis em São Paulo, Bahia, Tocantins e Minas Gerais, onde a Green Mining possui unidades da Estação Preço de Fábrica.

As entregas são registradas por meio do aplicativo da empresa com etapas que incluem pesagem digital, classificação por tipo de material e registro fotográfico. O pagamento é realizado todas as sextas via pix, se o saldo for superior a R$ 10. Por segurança, as unidades do projeto não mantêm dinheiro em caixa.

Entre os benefícios da iniciativa, estão o pagamento mais justo a quem coleta e a exclusão de práticas de trabalho infantil — segundo o UNICEF, mais de 50 mil crianças atuam na catação, e mais de 1 milhão de catadores sobrevivem com menos de meio salário mínimo.

Outras vantagens incluem rastreabilidade auditável e confiável para as empresas, o que contribui para a comprovação de suas metas de logística reversa (regulatórias e voluntárias).

 

 

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