Terça-feira, 16 de Dezembro de 2025

Empresas brasileiras ampliam investimentos em sustentabilidade

O ESG deixou de ser apenas uma sigla no mundo corporativo. Environmental, Social and Governance – ou meio ambiente, social e governança – representa hoje uma mudança na forma como as empresas conduzem seus negócios. No Brasil, essa transformação ganha força: investidores, clientes e colaboradores buscam organizações que demonstram responsabilidade ambiental, cuidado com as pessoas e transparência nos processos. A pesquisa Panorama da Sustentabilidade Corporativa 2025 (PSC – 2025), da Câmara Americana de Comércio (Amcham) e da empresa Humanizadas, revela que 52% dos negócios no país desenvolvem ações sustentáveis. A Unimar, empresa em serviços marítimos e logística, localizada em Santos, exemplificou essa tendência.

Por meio da gincana verde durante a Semana Mundial do Meio Ambiente, os colaboradores coletaram pilhas, baterias, lacres e frascos de aerossol, evitando a emissão de cerca de 4 toneladas de CO₂, quantidade equivalente ao que um carro popular a combustão emite em mais de 21 mil quilômetros. No ano passado, as equipes coletaram 98 kg de pilhas e baterias. Neste ano, o volume alcançou 375,97 kg. Os lacres e frascos de aerossol passaram de 2 kg para 66,99 kg no mesmo período.

Para a coordenadora de Processos ESG da Unimar, Fabiana Gonçalves, a sustentabilidade tornou-se um dos pilares estratégicos da Unimar, não só como resposta às exigências do mercado, mas como valor cultural da empresa. “Desde 2018, somos participantes do Pacto Global da ONU. Essa adesão reforçou nosso compromisso com a responsabilidade social, ambiental e econômica”.

A docente do MBA em ESG da Universidade Santa Cecília, Karina Keller Borges, explica que o conceito ESG vem mudando a forma como as indústrias operam. “Hoje, não basta apenas produzir, é preciso considerar o impacto ambiental, o cuidado com as pessoas e a transparência nos processos”, destaca.

A professora aponta desafios na adoção de práticas ESG pelas indústrias brasileiras: falta de cultura interna consolidada sobre o tema, dificuldade de mensuração de indicadores, ausência de investimentos específicos e resistência à mudança.

“A maior complexidade do desafio está na integração entre áreas como RH, Sustentabilidade, Jurídico e Operações para garantir resultados consistentes”, analisa Borges.

OBSTÁCULOS

A colaboradora da Unimar identifica obstáculos no setor marítimo para implementar práticas sustentáveis. “A adoção de combustíveis alternativos ainda esbarra em custos e desenvolvimento da infraestrutura nos portos. A padronização de exigências ambientais em nível internacional ainda é um processo em evolução”, observa.

Ela ainda menciona tecnologias em avaliação para os próximos anos. A empresa acompanha sistemas de monitoramento e controle de resíduos e emissões, além da digitalização de processos logísticos para reduzir deslocamentos desnecessários e uso de papel.

PERSPECTIVAS

A docente projeta tendências para os próximos anos. “Com o avanço da digitalização na gestão ESG, será essencial investir em tecnologias que apoiem o monitoramento, a transparência e o cumprimento das exigências legais”, prevê.

Já a coordenadora da Unimar acredita que haverá aumento na rigidez das regulamentações, tanto no Brasil quanto internacionalmente. “Organismos internacionais como a IMO estão pressionando por metas de descarbonização até 2050. No Brasil, observamos um movimento crescente para alinhar a legislação às diretrizes globais”, avalia.

Ela ainda considera que o cenário regulatório representa oportunidade para empresas preparadas. “Para empresas preparadas, esse cenário representa oportunidade de diferenciação e liderança”, conclui.

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