Domingo, 5 de Abril de 2026

Empresa mato-grossense mira mercado dos EUA e avança em estratégia global no setor de energia

Uma indústria nascida em Mato Grosso decidiu mirar alto e cruzar fronteiras rumo ao mercado mais competitivo do planeta. A Trael, fabricante de transformadores com mais de três décadas de atuação, iniciou uma ofensiva estratégica para ampliar sua presença internacional e se posicionar como fornecedora de equipamentos para o mercado norte-americano. O primeiro passo dessa nova fase foi dado durante a Distributech 2026, considerada a maior feira mundial do setor de transmissão e distribuição de energia elétrica, realizada entre os dias 2 e 5 de fevereiro, em San Diego, nos Estados Unidos.

O evento reuniu mais de 20 mil profissionais da indústria energética, cerca de 800 especialistas e aproximadamente 700 empresas expositoras, que discutiram os caminhos para a modernização das redes elétricas diante da explosão da demanda por energia no mundo. A presença da empresa mato-grossense integrou o Pavilhão Brasil, iniciativa coordenada pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) em parceria com a ApexBrasil, reunindo 31 companhias brasileiras com soluções voltadas à eficiência energética, digitalização e inovação tecnológica.

No meio desse cenário global de negócios, a Trael levou um objetivo claro: abrir caminho para se tornar fornecedora de transformadores no mercado americano. Segundo o engenheiro da empresa, Elton Jeser, o momento é considerado estratégico devido à crescente pressão sobre a infraestrutura energética dos Estados Unidos.

“O objetivo da Trael na feira foi apresentar a empresa para o mercado americano e se colocar como uma opção de fornecimento de transformadores, principalmente transformadores pedestal. Existe hoje uma demanda crescente por esses equipamentos impulsionada pela expansão das redes de energia, pelo avanço dos data centers ligados à inteligência artificial e pela eletrificação de veículos”, explicou.

De acordo com o engenheiro, a explosão no consumo de energia tem gerado gargalos na cadeia de produção de equipamentos no país. “Os fabricantes americanos não estão conseguindo suprir essa demanda e os prazos de entrega ultrapassam 12 meses. Isso abriu espaço para novos fornecedores internacionais”, destacou.

Com mais de 30 anos de experiência na fabricação de transformadores, a empresa acredita que pode aproveitar essa brecha no mercado global. A capacidade produtiva e os prazos mais competitivos são vistos como diferenciais capazes de colocar a indústria mato-grossense no radar de grandes projetos de infraestrutura energética.

Estratégia global em construção
Embora a participação na Distributech represente um marco importante, a internacionalização da Trael começou muito antes. Segundo o gerente comercial e de marketing da empresa e diretor de inovação do Sindenergia, Dimas Alexandre Yamanaka, a companhia já atua no mercado externo há décadas.

“A Trael exporta há mais de 20 anos para a América do Sul e já realizou operações para mercados da América Central e África. Nos últimos anos começamos a observar uma demanda reprimida muito forte nos Estados Unidos, impulsionada pela transformação digital, pelo avanço da inteligência artificial, pelos data centers e pela eletrificação veicular”, explicou.

Esse novo cenário levou a empresa a ampliar sua estrutura industrial e investir em produtos mais sofisticados voltados ao mercado internacional.

“A Trael construiu uma nova planta voltada a produtos mais engenheirados, como transformadores pedestal, equipamentos subterrâneos e transformadores para aplicações industriais e solares. Estamos falando de equipamentos entre 300 e 3 mil kVA, um nicho importante dentro do portfólio para atender esse tipo de mercado”, afirmou.

Durante a feira internacional, a empresa apresentou seu portfólio completo, com destaque para o transformador pedestal, conhecido no mercado americano como pad mounted, considerado uma das principais portas de entrada para o país. A companhia também chamou atenção com um transformador autoregulável — tecnologia já utilizada no Brasil — além de ferramentas digitais como um tour virtual em realidade virtual pela fábrica, permitindo que visitantes conhecessem o parque industrial da empresa.

“A ideia foi mostrar para o mercado americano que a Trael tem condições de atender essa demanda com qualidade e velocidade. Nosso complexo industrial é organizado em plantas dedicadas para diferentes linhas de produção, o que nos dá flexibilidade para atender transformadores de distribuição, média força e força em diferentes capacidades”, destacou Yamanaka.

Segundo o executivo, competir em mercados altamente exigentes também acelera a evolução tecnológica da empresa. “Essa interação com mercados mais exigentes promove maturidade técnica, qualificação das equipes e melhoria contínua dos processos. Além de ampliar escala e reduzir riscos, também abre novos mercados e fortalece a marca da empresa no cenário internacional”, afirmou.

Para ele, a expansão internacional também representa um ganho estratégico para o próprio estado. “Mato Grosso é muito associado ao agronegócio, mas quando empresas industriais ampliam seu portfólio e começam a acessar novos mercados, isso fortalece toda a economia. A indústria de transformação ganha escala, gera mais tecnologia, qualificação e amplia a diversidade do parque industrial do estado”, pontuou.

A Distributech 2026 destacou ainda temas que devem moldar o futuro do setor elétrico global, como modernização das redes, integração de energias renováveis, digitalização do sistema energético, cibersegurança e infraestrutura para veículos elétricos — áreas que devem impulsionar, nos próximos anos, uma corrida mundial por equipamentos e tecnologias capazes de sustentar a nova era da eletrificação.

 

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