Eletronet mira internacionalização e data centers com expansão de rede
Empreendendo um amplo projeto de expansão e modernização que vai aumentar em 50% a infraestrutura da empresa, a Eletronet pretende explorar oportunidades de conectividade para data centers no mercado brasileiro e de internacionalização na América do Sul, com ajuda de novas rotas de fibra óptica em construção.
A estratégia da operadora de infraestrutura foi detalhada ao TELETIME por Rogerio Garchet, CEO da Eletronet, durante conversa nesta semana em meio ao evento Capacity Latam.
“Será uma mudança estratégica importante. A rede vai chegar em regiões nunca atendidas e em cinco novos estados, alcançando as bordas do Brasil”, detalhou Garchet, sobre o projeto de expansão de R$ 157 milhões anunciado em fevereiro. A iniciativa prevê ativação de cerca de 8 mil km de fibra óptica a partir de 21 novas rotas.
O projeto está em implementação desde meados de 2025, com previsão de implementação completa até o final deste ano. Até julho, algumas das principais rotas planejadas já serão entregues, alcançando importantes capitais como Belém, Vitória, João Pessoa, São Luís e Cuiabá (veja uma lista completa no final desta matéria).
Além das capitais, a Eletronet também vai alcançar regiões fronteiriças e já negocia acordos com players de fibra de outros países, para a viabilizar a extensão internacional da rede. “A internacionalização se torna um passo muito prático”, afirmou o CEO.
Projeto de expansão de rede da Eletronet, com novas rotas em azul. Clique para ampliar. Foto: Divulgação
Garchet explica que ao chegar em Chuí (RS), a Eletronet poderá habilitar uma ligação com o Uruguai. De Foz do Iguaçu (PR), conexão será possível com a Argentina e o Paraguai. Já ao alcançar Assis Brasil (AC), abre-se a possibilidade de ligação com redes do Peru e da Bolívia.
“Isso vai permitir que a gente possa ir para o Oceano Pacífico, para a Costa Oeste norte-americana e para a Ásia com menor latência”, resumiu o executivo.
A expansão da infraestrutura da Eletronet envolve uma rede de fibra OPGW (Optical Ground Wire), instalada junto às linhas de transmissão de energia elétrica da Axia Energia (antiga Eletrobras), que controla a operadora desde 2025. A nova condição societária ampliou a capacidade de investimento e de expansão do negócio, diz Garchet.
Data centers
Ao TELETIME, o executivo apontou que o grande foco do projeto de expansão da Eletronet é o mercado de data centers. Há avaliação de que a lacuna de conectividade para conexão de centros de dados em certas geografias é um gargalo a ser endereçado no País.
No mesmo sentido, a empresa aposta em pequenos data centers de borda, ou edge data centers: o plano de expansão inclui a construção de 85 estruturas do gênero, fora os 170 pontos de presença (POPs) que a empresa possui. A transformação dos POPs em edge busca habilitar processamento computacional mais próximo ao consumidor final.
Hoje, POPs da Eletronet já são usados por aplicações de streaming de vídeo, podendo no futuro habilitar usos que exijam baixa latência, como inferência de inteligência artificial (IA), telemedicina e Internet das Coisas (IoT). “[A expansão de rede] precisa vir acompanhada da estratégia de crescer com produtos e serviços”, explicou Garchet.
Redata
Para o executivo, o potencial do mercado de data centers e IA no Brasil é gigantesco. Por outro lado, indefinições em torno do Redata (o novo regime tributário para a área em discussão no Congresso) podem inibir a velocidade de investimentos no País.
“Todo mundo vê o Brasil como um grande potencial, mas há a barreira de tributação de equipamentos”, afirmou o CEO da Eletronet – citando receio de que custos de importação neutralizem diferenciais competitivos do País, como matriz energética limpa e disponibilidade de espaço.
Plano da Eletronet
Veja abaixo o cronograma de conclusão do projeto de modernização de rede da Eletronet, dividido por etapas.
Até julho, serão entregues as seguintes rotas ópticas e principais cidades e capitais:
Rota Imperatriz (MA) – Belém (PA): cidades de Marabá (PA), Tucuruí (PA) e Belém (PA)
Rota Bom Jesus da Lapa (BA) – Barreiras (BA): cidade de Barreiras (BA)
Rota Vitoria (ES) – Ouro Preto (MG): cidade de Vitória (ES)
Rota Recife (PE) – João Pessoa (PB): cidades de Paulista (PE) e João Pessoa (PB)
Rota Ivaiporã (PR) – Foz do Iguaçu (PR): cidades de Cascavel (PR) e Foz do Iguaçu (PR)
Rota Itumbiara (GO) – Cuiabá (MT): cidades de Rio Verde (GO) – Rondonópolis (MT) e Cuiabá (MT)
Rota Presidente Dutra (MA) – São Luís (MA): cidade de São Luís (MA)
Rota Xingó (SE) – Usina Luiz Gonzaga (PE): cidades de Paulo Afonso (BA) e Nova Petrolândia (PE)
Até agosto, serão entregues as seguintes rotas ópticas e principais cidades e capitais:
Rota Tucuruí (PA) – Altamira (PA): cidade de Altamira (PA)
Rota Cuiabá (MT) – Sinop (MT): cidades de Lucas do Rio Verde (MT), Sorriso (MT) e Sinop (MT)
Rota Cuiabá (MT) – Porto Velho (RO): cidades de Vilhena (RO), Ji-Paraná (RO)
Rota Porto Velho (RO) – Rio Branco (AC)
Rota Macaé (RJ) – Vitoria (ES): cidades de Macaé (RJ) e Campos dos Goytacazes (RJ)
Rota Gravataí (RS) – Vitoria do Palmar (RS): cidade de Pelotas (RS)
Até dezembro, serão entregues as seguintes rotas ópticas e principais cidades e capitais:
Rota Altamira (PA) – Rurópolis (PA): cidade de Rurópolis e Transamazônica (PA)
Rota Utinga (PA) – Castanhal (PA): cidade de Ananindeua (PA) e Castanhal (PA)
Rota Gravataí (RS) – Atlântida (RS): cidades de Osório (RS) e Atlântida (RS)

