Eletrobras fecha acordo com a TIM para comercialização de energia
A Eletrobras e a TIM Brasil anunciaram um amplo acordo comercial que tem como primeira ação a venda de eletricidade no mercado livre de energia para clientes corporativos da operadora de telefonia. O plano inclui também avançar em outros projetos, como soluções tecnológicas de conectividade para ativos de geração e transmissão da companhia elétrica por meio do 5G e soluções de Internet das Coisas (IoT) – caso de medidores inteligentes.
A iniciativa de aproximar empresas de telecomunicações e geradoras para atuarem na comercialização de energia não é novidade. No fim de 2023, a Auren Energia e a Vivo já haviam anunciado uma parceria semelhante, tendo em vista mudanças nas regras de acesso ao mercado livre de energia – que desde janeiro deste ano passaram a permitir a participação de todos os consumidores de energia atendidos em alta tensão, independentemente da demanda.
Até então, apenas consumidores com carga superior a 500 kilowatts podiam atuar no ambiente de contratação livre (ACL), no qual podem escolher o fornecedor e negociar as bases dos contratos, como preço, prazo e condições de suprimento de energia.
ESCALA. Do lado das teles, as parcerias servem para ampliar a gama de serviços e fidelizar os clientes de internet. Já do lado das elétricas, a vantagem é acelerar o ganho de escala das operações por meio do acesso aos canais de vendas das teles, que têm milhões de usuários.
No caso da Eletrobras, esse ganho de escala é ainda mais importante, uma vez que a companhia tem crescentes volumes de energia “descontratada” nos próximos anos que precisa comercializar, num momento em que o setor elétrico prevê sobreoferta de energia.
“A parceria com a TIM está sintonizada com o objetivo da Eletrobras de se tornar uma empresa completamente voltada para o cliente, protagonista na comercialização de energia no mercado livre, que vai oferecer um ecossistema de comercialização com soluções completas e descarbonizadas para esse mercado”, disse o presidente da Eletrobras, Ivan Monteiro, em nota.
Acordo também deve favorecer a maior digitalização do mercado livre de energia
Já a TIM salientou que o acordo reforça o seu compromisso com a inovação e com a atuação no uso e incentivo de energia renovável. “Além de apoiar a transformação digital da Eletrobras, essa parceria estratégica reforça nosso compromisso com práticas sustentáveis e tem o potencial de democratizar o acesso ao mercado livre de energia para nossos clientes, contribuindo diretamente para impulsionar o uso de fontes renováveis no Brasil”, afirmou o CEO da TIM Brasil, Alberto Griselli. Segundo ele, desde 2021 a TIM consome apenas energia renovável, com certificado de origem, em parte por meio de sistemas de geração distribuída.
Conforme antecipou o Estadão/Broadcast, desde o ano passado a TIM se preparava para entrar no mercado livre, e vislumbrava fechar uma parceria ainda em 2024.
MIGRAÇÃO RECORDE. De janeiro a outubro, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) contabilizou 20,97 mil migrações de consumidores do mercado regulado, atendido pelas distribuidoras, para o mercado livre – número recorde. Desse total, mais de 77% são pequenas e médias empresas, , como padarias, supermercados, farmácias e escritórios que passaram a ter acesso ao ACL neste ano.
Estimativas da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) indicavam que a mudança de regras permitiria acesso ao mercado livre a cerca de 165 mil empresas.
