Domingo, 5 de Abril de 2026

Eletrobras capta US$ 750 milhões no mercado internacional

 A Eletrobras ampliou a lista de captações de brasileiras no mercado internacional de dívida com uma operação de US$ 750 milhões. A demanda foi quase quatro vezes maior que a oferta, o que comprova o apetite dos investidores estrangeiros pelos papéis brasileiros e deve encorajar mais empresas a buscarem recursos lá fora neste mês, disseram bancos de investimento ouvidos pelo Valor. Além da Eletrobras, a Petrobras captou na terça-feira US$ 1 bilhão em outra operação com forte demanda. 

 Os títulos da Eletrobras, que vencem em dez anos, terão taxa de remuneração (“yield”) de 6,75% e cupom de 6,5% ao ano. O prêmio foi o menor pago pela empresa, considerando todo o histórico de captações, disseram fontes que acompanharam a oferta. A taxa também ficou abaixo do intervalo previsto, de 7% a 7,25%. 

 A empresa de energia poderia emitir até US$ 1 bilhão, mas acabou decidindo captar um volume menor devido aos custos da operação em dólar e ao fato de ter facilidade em acessar outros mercados, como o local, disseram fontes. Os recursos vão ser utilizados para a Eletrobras pagar antecipadamente outras dívidas, como parte de um empréstimo de R$ 4 bilhões feito com um sindicato de bancos, além de notas comerciais, que ajudaram a financiar custos relacionados ao processo de privatização. 

 Na operação da Petrobras, a demanda total chegou a US$ 2,75 bilhões. A empresa levantou US$ 1 bilhão para financiar um programa de recompra de bonds. A taxa, prevista no início da oferta em 6,5%, ficou em 6,25%. 

 “A precificação da Petrobras saiu com o menor spread desde 2011 e o menor spread sob o soberano desde 2006. A empresa atingiu esse recorde mesmo no dia com maior número de transações e volume emitido da história do mercado americano”, disse Caio de Luca de Simões, chefe do mercado de capitais de dívida do Bank of America (BofA) no Brasil, um dos coordenadores da oferta. “Recordes como esses só podem ser atingidos quando o mercado está construtivo tanto do ponto de vista fundamentalista como do ponto de vista técnico.” 

 Entre os bancos que atuam nessa área, há uma expectativa de que a “janela” de captação de setembro seja uma das mais movimentadas do ano para companhias brasileiras. Isso porque, além do nível atual das taxas, alguns nomes poderão antecipar ofertas para fugir da volatilidade comum em períodos eleitorais. Os americanos vão às urnas para decidir o nome do próximo presidente no início de novembro. 

 Alexei Remizov, diretor e responsável pela área de mercado de capitais de dívida da América Latina do HSBC, também tem uma visão construtiva sobre o mercado de bonds, mas diz que o tamanho do “pipeline” de operações brasileiras vai depender dos dados da economia dos Estados Unidos que serão divulgados nos próximos dias. “O mercado como um todo está acompanhando os números dos Estados Unidos e a decisão do Federal Reserve sobre os juros que deve ser tomada no próximo dia 18. Serão dados importantes para outras empresas prosseguirem com os planos”, diz. “Mais empresas brasileiras considerariam operações se o custo do financiamento se tornasse mais atrativo.” 

 Desde janeiro, o volume captado por empresas brasileiras e pelo Tesouro Nacional com bonds já ultrapassa os US$ 18 bilhões, acima dos US$ 16,1 bilhões de todo o ano passado, conforme dados da Bond Radar. 

 Atuaram na oferta da Eletrobras os bancos Citi, Bradesco BBI,  BBI,  BBA, Santander, UBS BB, BBVA, BNP Paribas,  e Scotiabank. Na Petrobras, a coordenação foi feita por BofA, Bradesco BBI, HSBC, J.P. Morgan, Mizuho e Morgan Stanley. 

 

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