Elétricas querem garantir mais espectro para futuro e alinhamento internacional
As redes elétricas estão se digitalizando no mundo inteiro e, consequentemente, precisando de mais capacidade em conectividade sem fio. Se antes ficavam satisfeitas com blocos de 3 MHz + 3 MHz em faixas baixas para aplicações de voz, agora pedem 5 MHz + 5 MHz e algumas já falam em 10 MHz + 10 MHz e na abertura de novas frequências para as utilities. Para garantirem isso, entendem que precisam trabalhar de maneira cooperativa internacionalmente na busca por um alinhamento mundial de espectro para missão crítica. O tema foi debatido em um painel do UTCAL Summit 2026, nesta sexta-feira, 20, reunindo representantes de entidades como EUTC, UTC, 450 MHz Alliance e Cigre.
“Os sistemas legados são banda estreita para voz. Agora as comunicações das utilities são cada vez mais dados. Não basta ter cobertura, mas também capacidade. Procuramos faixas de espectro que permitam isso: uma boa propagação e garantia de capacidade. Mas é muito difícil no contexto atual encontrar espectro livre e que as utilities possam usar”, comentou Brett Kilbourne, representante da UTC North America.
Adrian Grielli, conselheiro de tecnologia da EUTC, equivalente à UTC na Europa, confirmou que há uma demanda crescente por blocos maiores para as utilities, e recomendou que o setor se organize desde já para pleitear faixas que talvez só sejam liberadas daqui a mais de dez anos, como a de UHF entre 470 MHz e 694 MHz.
“As MNOs já estão pedindo dois blocos de 35 MHz nessa faixa. Entendo que se a gente for precisar de mais espectro em 2040 temos que defender nosso ponto de vista agora”, disse Grielli.
Além do 450 MHz: novas faixas e alinhamento internacional
Entre as faixas que as utilities analisam estão as de 380 MHz e de 470 MHz. Mas é preciso haver um esforço conjunto para que elas sejam destinadas a aplicações de missão crítica na maior quantidade de países possível, para ter ganho de escala e atrair fabricantes na construção de um ecossistema, como está acontecendo em 450 MHz, argumentaram.
“Isso não vai acontecer sozinho. Precisamos trabalhar juntos. As utilities são boas em construir soluções por conta própria. Mas quando mudamos de banda estreita para banda larga, há mais complexidade e custo envolvido, o que requer mais planejamento da indústria ao redor do mundo para fazer funcionar do ponto de vista técnico e de custo”, disse Kilbourne, da UTC.
A Cigre, uma associação internacional do setor elétrico, se juntou à campanha por alinhamento de espectro para as utilities, criando um grupo de trabalho para discutir o tema, batizado como D2.62. “O objetivo de longo prazo é de que as elétricas tenham espectro dedicado para si, com padrões internacionais”, explicou David He Qiang, chairman do grupo de trabalho D2.62 da Cigre e vice-presidente de produtos empresariais da Huawei.
Anatel
Representando a Anatel no painel da UTCAL, Sidney Nince, assessor da Superintendência de Outorgas e Recursos à Prestação, lembrou que o Brasil tem diversas faixas de espectro disponíveis para a instalação de redes celulares privativas (RCPs): 410 MHz, 450 MHz, 2,3 GHz, 2,5 GHz, 3,7 GHz e 27,5 GHz, totalizando 540 MHz. Hoje, há 109 RCPs autorizadas nas faixas do 3GPP, das quais 32 são de utilities.
