Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

EDP planeja investir R$ 11 bi em distribuição e transmissão de energia e reorganizar presença global

 EDP Brasil anunciou, nesta quarta-feira (4), planos de investir cerca de R$ 11 bilhões nos segmentos de distribuição e transmissão de energia no horizonte de cinco anos. De acordo com o diretor-presidente para América do Sul, João Marques da Cruz, o Brasil é um dos mercados prioritários para o grupo em nível global, e a empresa não descarta a possibilidade de expandir suas operações por meio de aquisições estratégicas. 

 No setor de distribuição, a previsão é aportar entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões em cinco anos. A fala do executivo ocorre em meio a um contexto de renovação das concessões das distribuidoras de energia. As primeiras concessionárias com contratos a vencer são EDP Espírito Santo Distribuição, Light e Enel Rio.Se tudo correr bem, a previsão é que a EDP assine o contrato de renovação entre maio e junho de 2025. 

O executivo lembra que o Brasil vive um contexto de mudanças climáticas, com fortes vendavais que têm afetado a rede de distribuição. “Neste cenário de mudanças climáticas, o essencial é expandir a rede e investir em resiliência com equipamentos e religadores, tornando a malha mais robusta”, afirma. 

 “No entanto, é fundamental considerar o impacto na tarifa e no que o consumidor terá que pagar. As redes representam cerca de 20% da conta de energia e não são o componente mais significativo. A tarifa inclui diversos elementos, como subsídios ocultos, que acabam onerando ainda mais o consumidor”, acrescenta Cruz. 

A empresa pretende fazer uma reorganização da sua presença no mundo e sair de dez pequenos mercados. O executivo frisa que nada muda no Brasil, já que é um país prioritário, ao lado de Portugal, Espanha e Estados Unidos.

 A EDP quer limitar a sua dependência em relação a uma única área ou atividade, no máximo, a 20% do lucro sobre juros, impostos, depreciação e amortização, Ebitda. Na prática, a empresa busca diversificar suas fontes de receita para não ficar excessivamente dependente de uma única operação

 “No Ebitda, a EDP não quer ter exposição superior a 20%. Se o câmbio não estivesse desvalorizado poderia ser um pouco mais. Por estratégia, vamos abandonar dez pequenos mercados no mundo e ficar em 20 países, que têm a média de até 5% de Ebitda, o que mostra que o Brasil é especial”, diz Cruz. 

 No segmento de transmissão, o plano é continuar participando dos leilões de transmissão e ir aportando conforme a empresa for bem-sucedida nos certames. Nos leilões, a empresa quer lotes entre R$ 500 milhões e R$ 1,5 bilhão”, frisa. 

 Nesta rota de investimentos, o executivo admite que possa haver investimentos não orgânicos. A empresa tem ainda um processo de rotação de ativos, em que alguns ativos são vendidos para ajudar a financiar outros projetos. A empresa portuguesa inclusive retomou o processo de venda das hidrelétricas de Santo Antônio do Jari (392,95 megawatts) e Cachoeira Caldeirão (219 megawatts), no Amapá. 

Leilão de sistemas de armazenamento de energia

 A elétrica portuguesa EDP quer participar do leilão planejado pelo governo para ocorrer em 2025 para contratação de capacidade de baterias e sistemas de armazenamento para o setor elétrico, disse Cruz, em conversa com jornalistas. 

 Segundo ele, a EDP tem “expertise” no segmento, inclusive com projeto em estágio avançado no Chile, e contato adiantado com fabricantes e fornecedores, o que pode aumentar a competitividade da empresa no certame. O executivo também disse que o grupo está disposto a crescer no segmento de distribuição de energia no Brasil e analisará eventuais oportunidades de aquisição que vierem a mercado. 

 A proposta do governo é que esses sistemas de armazenamento entrem em operação em 2029. A intenção é impulsionar a tecnologia no Brasil. 

 O governo chegou a avaliar a inclusão de baterias e sistemas de armazenamento de energia no próximo leilão de reserva de capacidade, que contratará mais potência para o sistema elétrico nacional a partir de 2028. No entanto, a falta de regulamentação para o uso desses sistemas foi vista como um impeditivo para a inclusão da tecnologia no certame. 

 

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