Terça-feira, 3 de Março de 2026

Disputa pelo fair share gerou relação madura com big techs, avalia tele

Pelo menos um importante executivo de uma grande operadora que participa do MWC 2026, que acontece esta semana em Barcelona, avalia que o debate sobre o fair share (possibilidade de cobrança de uso de rede), um tema central do evento há três anos mas que em 2026 sequer foi citado nos paineis principais, teve seu papel relevante em um determinado momento, abrindo a possibilidade de conversas comerciais entre teles e big techs em outras frentes, o que foi positivo para as teles e para as empresas de Internet. A resposta do executivo veio quando questionado sobre os impactos de uma nova associação criada a partir da Aliança da Internet Aberta (agora DIG.IA) para representar os interesses das empresas de infraestrutura de dados.

Ele cita como sinais de melhoria das relações entre teles e big techs as parcerias fechadas para a distribuição de conteúdos por streaming, a racionalização que as próprias big techs passaram a fazer do tráfego, buscando otimizar a compressão para consumir menos banda do usuário, os acordos em ferramentas de mensagem avançada (RCS) e os investimentos das empresas de Internet em redes de distribuição de conteúdos (CDNs).”Diria que a relação é hoje muito mais madura”, diz o executivo. Se não existe a possibilidade de acordos comercias pelo tráfego gerado nas redes, como originalmente fefendiam as empresas de telecomunicações, hoje existem outros acordos que tornam a relação mais equilibrada. Mas no Brasil ainda existe uma agenda que as operadoras consideram relevante, que é evitar uma proibição, em lei, a algum possível modelo de negócios. Caso do PL 469/2024, que proíbe diretamente qualquer modelo baseado na cobrança de taxa de uso de rede.

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